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“Razoável era ter zero perdas na venda do Novo Banco”

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Alberto Frias

Fernando Ulrich, presidente-executivo do BPI, é cauteloso quanto às negociações para a venda do Novo Banco. Até porque, garante, não sabe nada sobre o assunto

Como vê a hipótese de as perdas com a venda do Novo Banco serem superiores ao previsto, o que terá de ser assumido pelos restantes bancos, entre os quais o BPI?

Não sei o que estava previsto… O BPI foi candidato à compra do Novo Banco, estamos sujeitos a um compromisso de confidencialidade. E não tenho informação para poder comentar. Não sei porque não se chegou a acordo com a Anbang nem qual é a proposta da Fosun, nem a da Apollo, não sei qual a perda prevista para o Fundo de Resolução nem como vai ser contabilizada. Não sei nada, nem quando é que se vai saber alguma coisa.

Seria prudente adiar a venda do banco?

Não tenho elementos para me pronunciar.

Se o Novo Banco não for vendido agora, aceita participar no aumento de capital que será necessário?

Não vou comentar, não tenho informação.

Mas que perdas considera que seriam razoáveis ter nesta operação? Ou pelo menos, que seriam aceitáveis?

O razoável era ter zero perdas.

Um dos muitos cenários em cima da mesa seria, caso a Apollo comprasse o Novo Banco, tentar uma fusão com o BPI. Como classifica essa hipótese?

Também ouvi dizer, mas não sei de nada.

Assumiu que a compra do Novo Banco era uma oportunidade única. Porque foram excluídos? Este é um campeonato que não era para o BPI?

Tenho dificuldade em responder. Apresentámos uma oferta não vinculativa e o Banco de Portugal (BdP) não a aprovou e, pelo que nos foi dito, o critério principal foi o preço. Por esse motivo, o nosso preço seria o sexto, pois os outros cinco passaram e nós não. Na fase seguinte, houve acesso a informação confidencial mas nós não estávamos lá. É preciso esperar pelo desfecho do processo para comparar a nossa proposta com a que vencer.

Quem deve pagar afinal aos lesados do papel comercial?

É público que esse assunto se transformou numa matéria de grande divergência de opiniões entre a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e o BdP. Não vou pronunciar-me porque não estudei o assunto de forma suficientemente cuidada. E também sou parte interessada porque o tema pode ter a ver com o Fundo de Resolução.

Estão a ser definidos diferentes rácios de capital pelo BCE para cada banco. Quais são os fixados para o BPI?

O BCE estabelece conversas bilaterais com cada banco supervisionado em que é comunicado o rácio que tem de cumprir em 2016 e é fornecida uma explicação. Isso já foi feito em 2015, mas pelo BdP, agora é feito por uma equipa conjunta do BCE e do BdP. As reuniões já começaram e estão a correr normalmente. É feita uma análise do que se considera serem os riscos a que o banco está sujeito e depois calcula-se o rácio que o banco deve ter.