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Ilídio Pinho: O “caçador de sonhos”

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Ilídio Pinho, 77 anos, assume-se como um “empresário lutador contra a fome”, recordando uma frase que ouviu de Samora Machel

Rui Duarte Silva

Após uma carreira empresarial de 50 anos iniciada com um pequeno empréstimo de um familiar, o fundador da Colep partilha episódios, experiências e reflexões estratégicas. Uma vida intensa transformada em livro

Onde estava Ilídio Pinho no 25 de Abril? Em Milão, numa das suas habituais “viagens técnicas”. Milão já se cruzara na carreira do empresário, 10 anos antes. Fora uma visita imprevista à sede da Marzoratti, um fabricante de latas, para resolver um “acidente providencial” à saída de Génova que uma feliz epifania revelaria o seu destino.

Em 1974, o “rapaz lá do norte” já cometera a proeza de transformar uma fábrica de latas instalada, em 1965, num pequeno barracão no meio de um pinhal e suportando um longo calvário de bloqueios e boicotes, numa “catedral profissional” que liderava o mercado de embalagens metálicas. Sobressaltado, regressaria de imediato a Vale de Cambra, apanhando em Madrid um táxi até à fronteira em Vilar Formoso.

A Colep atravessaria o ambiente revolucionário sem greves nem danos de maior. Mas a permanente agitação incluiu até uma visita tão inexplicável como pacífica de uma força do Copcon. O industrial cedo optou por falar diretamente com a comunidade laboral, explicando que se as encomendas não seguissem oportunamente a Colep corria o risco de falir. E isso não era bom para ninguém. No verão quente de 1975, depois de impedir a distribuição de propaganda comunista na fábrica, Ilídio seria avisado de que o seu automóvel seria destruído à bomba. Nessa noite, vigiou movimentos estranhos e, afinal, o que encontrou foi um grupo de operários da Colep armados, que estavam de guarda a sua casa e família. Ilídio ficou emocionado.

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