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Os “riscos negativos reemergiram”: BCE revê em baixa crescimento e inflação até 2017

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KAI PFAFFENBACH / Reuters

Draghi admitiu a possibilidade de inflação negativa “nos próximos meses”, em virtude do comportamento desinflacionista dos preços do petróleo

Jorge Nascimento Rodrigues

Mario Draghi anunciou em conferência de imprensa em Frankfurt, esta quinta-feira, a revisão em baixa das projeções do Banco Central Europeu (BCE) para o crescimento na zona euro até 2017. As novas projeções da equipa macroeconómica do banco cortaram uma décima em 2015 e duas décimas em 2017 e em 2018. Os novos números apontam para 1,4% no ano em curso, 1,7% no próximo ano e 1,8% em 2017.

Esta conferência de imprensa realiza-se após a reunião do Conselho do BCE que decidiu manter inalteradas as taxas diretoras de juros que estão em mínimos históricos anunciados em setembro de 2014.

O italiano admitiu a possibilidade de inflação negativa "nos próximos meses", em virtude do comportamento desinflacionista dos preços do petróleo, e referiu as novas previsões para a taxa de inflação, que, também, levaram um corte em relação às divulgadas em junho. A previsão de inflação para 2015 é, agora, de 0,1%, em vez de 0,3%. Para 2016, o corte é maior, de 1,5% para 1,1%. Em 2017, a previsão aponta, agora, para 1,7% em vez de 1,8%, o que sigifica que se ampliou o afastamento, daqui a dois anos, em relação à meta de inflação do BCE de abaixo mas próximo de 2%.

Refira-se que este exercício de projeções pelo BCE foi realizado a 12 de agosto, antes do posterior pico de volatilidade financeira.

O presidente do BCE, que fez esta quinta-feira 68 anos, admitiu que os "riscos negativos" reemergiram entretanto, mas acrescentou que é ainda "prematuro" avaliar o impacto no crescimento e nos preços da recente volatilidade financeira. Tudo depende se essa volatilidade é de "curto prazo ou permanente". Se este último cenário se confirmar, então "os prémios de risco subirão".

Draghi referiu que o atual programa de compras de títulos públicos e privados - vulgo quantitative easing - poderá estender-se para "depois" do final de setembro de 2016, "se necessário". O presidente do BCE disse que o assunto de uma possível expansão do programa não foi discutido nesta reunião, pois "não estamos ainda nessa situação".

No entanto, o conselho resolveu dar uma mexida num parâmetro do programa. Uma das medidas anunciadas nesta conferência de imprensa é o aumento de 25% para 33% da parcela de dívida pública de um dado país que pode ser adquirida no mercado secundário pelo BCE.

Mercados financeiros reagiram positivamente

As palavras de Draghi foram "lidas" positivamente pelos mercados financeiros.

À hora de conclusão da conferência de imprensa em Frankfurt, as bolsas europeias ampliavam os ganhos da sessão da manhã, com os índices de Atenas, Frankfurt, Amesterdão e Paris a subir acima de 2%. Os índices das Bolsas de Lisboa e Madrid subiam abaixo de 1%.

No mercado da dívida soberana, as yields das obrigações desceram nos membros da zona euro, com exceção da Grécia. A maior queda pelas 14h30 registava-se nas yields das Obrigações do Tesouro português, que desciam 11 pontos base para 2,59%. No caso das obrigações gregas, regista-se uma subida de 16 pontos base, pois Mario Draghi afastou a possibilidade, para já, de integrar a dívida pública grega no programa de compra no mercado secundário.

  • A reunião de política monetária do Banco Central Europeu decidiu não mexer nas taxas diretoras de juros que continuam em mínimos históricos. A atenção vira-se, agora, para a conferência de imprensa às 13h30 em Frankfurt

  • Os riscos negativos para a conjuntura mundial agravaram-se, avisa o relatório do Fundo para a reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 que se inicia na sexta-feira. BCE deve estender o seu programa de compras de títulos públicos e privados se a inflação não descolar e a Alemanha deve reduzir o seu excedente externo e investir em infraestruturas