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Garantia de Pires de Lima: “não há qualquer risco” de o Novo Banco comprometer a meta do défice

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TIAGO PETINGA / Lusa

Quanto ao processo de venda do banco - negociações com os chineses da Anbang, que tinham feito a melhor proposta, falharam -, o ministro da Economia diz que “as coisas também têm de se fazer bem feitas e eu confio totalmente na capacidade do senhor governador do Banco de Portugal”

Questionado esta quarta-feira sobre a possibilidade de a venda do Novo Banco poder representar um prejuízo mais elevado do que as previsões iniciais e poder comprometer a meta do défice de 2,7% para este ano, Pires de Lima assegura que "não há qualquer risco". "Estou muito confiante de que no final do ano as nossas contas externas estão positivas e apresentaremos um défice inferior a 3%. O objetivo é 2,7%."

O ministro da Economia considera "desejável que o Novo Banco venha a conhecer mais cedo do que tarde aquele que será o seu futuro acionista, para que este período de incerteza, de transição, possa ter um epílogo o mais breve possível". Mas "as coisas também têm de se fazer bem feitas e eu confio totalmente na capacidade do senhor governador [Carlos Costa] e no BdP para conduzirem este processo de forma competente e diligente", sublinhou Pires de Lima, que falava em conferência de imprensa no Ministério da Economia, em Lisboa, a propósito do balanço das atividades da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD).

"Creio que existe no Governo uma total confiança que o BdP saberá conduzir este processo com competência e é ao BdP que compete a decisão em matéria tão delicada. Nenhuma instituição, com a relevância para a economia que tem o Novo Banco ganha em viver em incerteza acionista durante muito tempo, isso afeta a gestão do banco."

O prazo para o período de negociação entre o BdP e o potencial comprador do Novo Banco terminou às 00h de segunda-feira, mas não foi alcançado um acordo. Segundo informou o regulador na terça-feira, "por não ter sido alcançado um acordo, o BdP decidiu [hoje] terminar aquelas negociações e convidar para negociações, no âmbito da fase IV, o potencial comprador que apresentou, na fase anterior, a proposta qualificada em segundo lugar". Trata-se dos chineses da Fosun.

A propósito das metas do défice, nota para o facto de a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (técnicos independentes que apoiam os deputados da Assembleia da República) ter avançado terça-feira o défice orçamental de 4,9% do PIB até julho “evidencia riscos para o cumprimento do objetivo definido para o conjunto do ano”, que é de 2,7%.