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Xangai entra em setembro com pé esquerdo. Bolsa cai mais de 1%

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Apesar das intervenções sucessivas do Banco central e do governo de Pequim, a bolsa de Xangai não consegue estabilizar em terreno positivo. Mas podia ter sido pior este início de setembro. O índice de Xangai chegou a estar a perder 4,5% na sessão da manhã desta terça-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

Xangai voltou a fechar no vermelho. Depois de uma quebra de 0,78% no último dia de agosto, o índice composto da Bolsa de Xangai voltou a cair, perdendo esta terça-feira 1,23%. A bolsa chinesa entra setembro com o pé esquerdo a apenas 48 horas das comemorações da vitória sobre o Japão na 2ª Guerra Mundial.

O índice chegou a estar a perder 4,5% pelas 10h (hora de Xangai) na sessão da manhã, mas depois animou. A Bloomberg refere que essas subidas derivam da “intervenção” de fundos apoiados pelo Estado no sentido de “corrigir” as quedas.

A sessão desta terça-feira foi marcada negativamente pela divulgação do índice de evolução do sector industrial na China, o Purchasing Managers’ Index (PMI. índice da opinião dos gestores de compras) que baixou em agosto para 49,7, o nível mais baixo em três anos e que indicia contração (por se situar abaixo de 50, o valor registado em julho). O índice para o sector não industrial baixou ligeiramente em agosto, mas continua acima de 53 pontos, longe de contração.

Um indicador indireto do andamento do abrandamento da economia chinesa vem esta terça-feira da vizinha Coreia do Sul, que em 2014 foi o principal mercado de importação da China, à frente inclusive do Japão. A exportações coreanas caíram 14,7% em agosto em termos homólogos, muito acima das estimativas dos analistas que apontavam para uma quebra de 5,9%. É a maior queda desde agosto de 2009. A China é o principal mercado de exportação do vizinho peninsular, representando mais de 25% das exportações coreanas em 2014.

Depois de sucessivas intervenções do Banco Popular da China, o banco central, e do governo de Pequim, para “acalmar” os mais de 100 milhões de investidores nas bolsas chinesas durante este verão, o principal índice bolsista chinês não dá mostras de estabilizar em terreno positivo.

O banco central já realizou várias operações de mercado para injetar liquidez nos bancos e “acomodou” a política monetária, reduzindo as taxas diretoras e cortando no rácio de reservas obrigatório (disposição que entra em vigor a 6 de setembro). O governo deu instruções aos media desde junho para não usar certas expressões e palavras “mais emocionais” sobre o andamento dos mercados financeiros, como revelou o China Digital Media. Mais recentemente iniciou uma investigação policial sobre alegados “desestabilizadores do mercado”, com mais de 200 prisões já efetuadas e algumas confissões já divulgadas. A entidade reguladora dos mercados bolsistas incentivou as cotadas a realizarem recompra de ações e encorajou fusões e aquisições.

Em agosto, apesar desse arsenal de bazucas utilizado pelo banco central e pelo governo, o índice composto da bolsa de Xangai perdeu 12,5%, a segunda maior queda entre os principais índices bolsistas à escala mundial. Pior só o índice da Bolsa de Riade na Arábia Saudita.

Esta terça-feira na Ásia o vermelho predomina. As bolsas de Tóquio, Seul e Taipé fecharam em terreno negativo e os principais índices das bolsas de Hong Kong e Mumbai estão no vermelho. Os dois principais índices da Bolsa de Tóquio, o Nikkei 225 e o TOPIX, fecharam a perder mais de 3,8%. A bolsa de Tóquio, depois de uma subida de mais de 175% entre fevereiro de 2009 e junho de 2015, ao longo de mais de seis anos, já corrigiu 13% desde o pico registado a 24 de junho.

A Europa abriu no vermelho, com o Eurostoxx 50 a perder mais de 2,5% e o PSI 20, da Bolsa de Lisboa, mais de 2%. Em agosto, o Eurostoxx 50 perdeu 9,2% e o PSI 20 caiu 7,95%. Os futuros em Wall Street abriram, também, em baixa.

  • Os índices de volatilidade atingiram máximos a 24 de agosto que já não se registavam desde outubro de 2011. Bolsas perderam em todos os continentes, com destaque para a Arábia Saudita e China. Preço do barril dispara nas últimas sessões do mês