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Novo Banco: Apollo trará preço mais baixo, reestruturação e possível fusão

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Nuno Botelho

O Banco de Portugal vai avançar com negociações com a Apollo para a venda do Novo Banco. Os analistas antecipam que a proposta do fundo norte-americano trará um preço mais baixo, uma reestrução mais agressiva e a possiblidade de uma fusão pós venda

As negociações com a chinesa Anbang falharam. E o Banco de Portugal irá começar a qualquer momento as negociações com o fundo de capital de risco Apollo, que no entanto ainda não terá sido chamado. O regulador deixa em aberto a possibilidade de poder chamar ainda também a chinesa a Fosun.

Para os analistas ainda não é claro o que falhou nas negociações com a Anbang, mas admitem que terá sido uma falta de acordo face às garantias que o concorrente queria relativamente a contingências futuras, nomeadamente o empréstimo da Goldman Sachs (cerca de 700 milhões de euros), a questão dos lesados do papel comercial e eventuais exigências futuras do Banco Central Europa em relação ao reforço do capital do Novo Banco. O empréstimo da Goldman Sachs está no "BES mau", mas o banco de investimento colocou uma ação judicial em Londres, e o tribunal considerou-se competente para julgar o caso, o que aumenta a probalidade de o empréstimo poder voltra ao Novo Banco, o que representará um encargo acrescido.

Com a Apollo de novo na corrida, os analistas e fontes financeiras dizem que será negociada uma proposta e com mais consequências para o sector e para o encaixe do Fundo de Resolução, que injetou no Novo Banco 4,9 mil milhões de euros. Não há dúvida para estas fontes, o fundo norte-americano tem em cima da mesa um preço à cabeça bem mais baixo que a Anbang. Quanto, não se sabe.

As diferenças entre as propostas não se ficam por aqui, dizem os analistas. Com a Apollo, que é já dona da Tranquilidade, haverá um processo de reestruturação mais rápido e mais profundo. Além disso, é provável que o fundo avance também com uma proposta de fusão. E no mercado admite-se que já estará a haver conversas com o BPI, banco que aliás também esteve na corrida à compra do Novo Banco, mas foi afastado, tal como o Santander, Tinham propostas que não agradaram ao Banco de Portugal, porque teriam consequências na estrutura do mercado e eram menos atrativas que as três que foram escolhidas: a da Fosun, Anbang e Apollo.

A Apollo adquiriu no final de 2014 a Tranquilidade, antiga seguradora da família Espírito Santo (GES), empresa a partir da qual reconstruiu o grupo. Se comprar o Novo Banco junta de novo uma boa parte dos ativos do GES:

Mas a procissão ainda vai no adro, dizem fontes financeiras, e fechar um dossiê desta complexidade antes das eleições não vai ser tarefa fácil. Por isso, admitem que o processo de venda do Novo Banco poderá ser adiado para depois das eleições legislativas de outubro.

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