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Filosofia e tai chi: o Warren Buffett chinês que compra em Portugal (e que está a negociar o Novo Banco)

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É o décimo mais rico da China e está a investir em Portugal. Guo Guangchang, presidente da Fosun, é o rosto dos maiores negócios de chineses no mundo. O Novo Banco é o negócio que se segue

Eric Piermont/AFP/Getty Images

Fez fortuna a partir do nada. Hoje está na lista de bilionários da "Forbes". Cofundador e presidente da Fosun, Guo Guangchang tem sido o protagonista dos negócios mais emblemáticos feitos por chineses a nível internacional. E está a investir em Portugal. O presidente da Fosun tem enriquecido ao ritmo do crescimento do seu grupo. Com uma fortuna avaliada em 5,4 mil milhões de dólares (€4,2 mil milhões), é o décimo mais rico da China, segundo a Bloomberg.

Pelas aquisições e investimentos que tem feito, Guo é conhecido a nível internacional como o Warren Buffett da China. Em Portugal, comprou a Espírito Santo Saúde por mais de €450 milhões. Isto depois de ter comprado a Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos por €1000 milhões e de ter entrado na REN.

Mas Portugal é apenas um dos muitos países onde está a fazer aquisições. Em outubro do ano passado, a Fosun concretizou um dos negócios imobiliários do ano em Nova Iorque com a compra ao JP Morgan Chase do edifício One Chase Manhattan Plaza por 725 milhões de dólares (€565,3 milhões).

Ao todo, desde 2010 a Fosun investiu mais de 3,7 mil milhões de dólares (€2,9 mil milhões) em aquisições no estrangeiro, de acordo com dados da Bloomberg. No carrinho de compras do grupo chinês estão desde marcas de moda norte-americanas e europeias a estúdios cinematográficos e imobiliário. O frenesim de compras da Fosun tem chamado a atenção não só dos mercados, mas também dos media.

Nascido em 1967 numa família pobre, em Dongyang, na província de Zhejiang, numa comunidade rural, Guo formou-se em Filosofia na Universidade Fudan com uma bolsa de estudos estatal. Aí ganhou um lugar de prestígio. Depois, trabalhou três anos com a Liga da Juventude Comunista da universidade. Em 1992, inspirado pelo ex-líder da China Deng Xiaoping, decidiu lançou um negócio por conta própria. A Fosun nascia em parceria com um grupo de estudantes da universidade - o capital inicial era de 38 mil yuan (€4,9 mil) para produzir kits de diagnóstico de hepatite.

As privatizações na China, depois de 2000, deram a Guo a oportunidade de fazer crescer o grupo. Em 2003 foi nomeado pelo Partido Comunista delegado para o Congresso Nacional do Povo da China, o principal órgão legislador do país. O apoio político é crucial tanto para crescer no ambiente empresarial na China, como para investimentos no exterior.

Filosofia e tai chi

A primeira aquisição da Fosun fora do país surgiu em 2010. As aquisições da Fosun levaram o grupo a ter como principais negócios os sectores ligados ao aço, imobiliário, farmacêuticas e saúde e minas. Também atua na área de gestão de ativos. E detém posições em empresas cotadas e parcerias, além de investimentos em empresas não cotadas. Guo não é o único a aproveitar a baixa de valores das empresas nos Estados Unidos e na Europa após a crise financeira de 2007. Mas tem-se destacado pela diversifidade de investimentos.

Neste momento, marcas de moda, tecnologia e ativos financeiros constam do cardápio do grupo. "O nosso objectivo é melhorar a vida da classe média na China", afirma, citado pela Bloomberg. Também não é o único chinês a destacar-se a nível internacional. O seu amigo Jack Ma, cofundador e presidente da Alibaba, protagonizou recentemente a maior oferta pública inicial de sempre, com a estreia do seu grupo na Bolsa de Nova Iorque.

No dia a dia, Guo é adepto do chá verde e do tai chi, que descreve como sendo uma boa forma de estar calmo e aguentar o stresse do trabalho. Nos negócios está focado no consumo. Além do investimento no Club Med, que nos últimos anos abriu quatro resorts na China, entrou na norte-americana St. John Knits, na fabricante de joalharia e malas grega Folli Follie e na Raffaele Caruso, marca italiana de moda masculina.

Diz que é a sua mulher, Wang Jinyuan, uma conhecida pivô televisiva em Xangai, que o inspirou a apostar em empresas ligadas ao consumo. Mas é o investimento em seguradoras que encaixa no que Guo descreve como o método de Warren Buffett. Os prémios gerados pelas companhias de seguros vão ajudar a fornecer financiamento no longo prazo para as aquisições focadas em serviços e produtos para o consumidor.

Aqui encaixa a compra da Fidelidade em Portugal e a joint-venture com a Prudential Financial, a segunda maior seguradora nos EUA, e a gestora de ativos alternativa norte-americana Carlyle Group, para investir 700 milhões de dólares em empresas de áreas como saúde e seguros na China. A proposta para a compra da Espírito Santo Saúde encaixou que nem uma luva nesta estratégia de investir em empresas voltadas para o consumidor.

Apesar destas apostas, são as operações industriais que contribuem para a maior fatia dos lucros e das receitas do grupo, que no primeiro semestre subiram respetivamente 8,4% para €235 milhões e mais de 3% para €3178 milhões.

O potencial da China é enorme. E o festim de compras é para continuar. Segue-se o Novo Banco?