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Como o Novo Banco trocou as voltas à Apollo (e aos jornalistas)

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Venda na reta final. Banco de Portugal vai avaliar ofertas e poderá decidir quem ganha até ao final do mês

Nuno Botelho

A escolha da Fosun em vez da Apollo para negociar a venda do Novo Banco apanhou toda a gente de surpresa: a própria Apollo, a própria Fosun e os jornalistas. Só não surpreendeu o Banco de Portugal. Mas este engano tem uma história. E não é a de uma alucinação coletiva.

A escolha da Fosun para negociações com o Banco de Portugal no processo de venda do Novo Banco foi surpreendente: desde meados de agosto que vários jornais publicaram que a segunda melhor proposta era da Apollo, não a da Fosun, pelo que seriam os americanos os escolhidos para negociações caso a proposta da Anbang caísse, como aconteceu. Não foram só os jornalistas os surpreendidos: as próprias Apollo e Fosun estavam iludidas, segundo fontes que o Expresso foi contactando do longo das semanas.

Recordemos: dos vários interessados no Novo Banco, apenas três propostas foram apuradas para a fase de negociação: a da seguradora chinesa Anbang, a do conglemerado chinês Fosun e do fundo de “private equity” Apollo. O Banco de Portugal listou-as e escolheu a primeira escolha para negociações exclusivas, comunicando que, caso essas negociações falhassem, o processo avançaria para o segundo classificado e daí para o terceiro. Em nome da confidencialidade, nunca o Banco de Portugal indicou, confirmou ou desmentiu qualquer nome de qualquer candidato ou da ordem de escolha.

A comunicação social noticiou que a segunda melhor proposta era da Apollo. Fê-lo com base nas suas fontes, caso do Expresso, com dupla confirmação. Em nota de direção, também o Negócios relata que a informação “estava confirmada indiretamente pelas partes envolvidas, (…) nunca foi desmentida mas que também nunca foi oficialmente assumida”.

No Banco de Portugal garante-se que não houve alteração de critérios, pelo que a Fosun sempre foi a número dois da lista. Segundo fontes do Expresso envolvidas no processo, o “engano” foi benéfico para a negociação anterior: pensando a Anbang que estava a competir com os americanos da Apollo e não com os também chineses da Fosun, a competição seria maior. E isto por causa da perceção de que, sendo a China um país de forte centralização de informação, a Anbang e a Fosun poderiam negociar paralelamente entre si, o que retiraria pressão competitiva ao processo; achando que estava a competir com a Apollo, a Anbang sentir-se-ia mais pressionada.

Nota da Direção: o Expresso relata aqui como candidatos ao Novo Banco e vários jornais foram iludidos no processo. O Expresso lamenta junto dos leitores o erro - e ter-se deixado envolver no que terá sido uma manipulação que teve proveitos negociais.