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Bolsas. Wall Street amplia perdas registadas na China e Europa

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A primeira sessão de setembro começou mal na Bolsa de Xangai e piorou com os principais índices das bolsas de Nova Iorque a perderem quase 3%. A diretora-geral do FMI deu a entender em Jacarta que vai haver uma revisão em baixa da previsão de crescimento mundial para este ano

Jorge Nascimento Rodrigues

Setembro começou mal. Wall Street fechou em terreno negativo esta terça-feira com a quebra dos seus principais índices bolsistas a ampliar as perdas registadas em Xangai ainda Nova Iorque dormia e a Europa abria os mercados financeiros. O índice global das bolsas, o MSCI ACWI, caiu esta terça-feira 2,7%. Desde o pico desse índice mundial a 21 de maio, a correção bolsista é de quase 13%.

Em Nova Iirque, o índice S&P 500 fechou a perder 2,96%, o Nasdaq caiu 2,94% e o S&P 500 desceu 2,84%. Este último índice acumula perdas de 9,9% desde o início de 2015, a segunda maior quebra entre os principais índices mundiais. Logo depois da correção no índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, que já caiu 10,25% desde o começo do ano.

Os índices agregados da MSCI revelam a dimensão das perdas esta terça-feira: quebra de 2,95% nos Estados Unidos; 2,35% na Ásia Pacífico; 2,32% na Europa; e 2,15 no conjunto das economias emergentes.

Wall Street sentiu o contágio chinês e a incerteza sobre o andamento da economia mundial instalou-se depois da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional ter dado a entender esta terça-feira em Jacarta que a organização poderá rever em baixa a sua previsão de crescimento mundial na próxima reunião do Fundo e do Banco Mundial a 9 e 11 de outubro em Lima, no Peru. Nessa ocasião um novo “World Economic Outlook” será divulgado e a previsão de 3,3% de crescimento para 2015, uma décima menos do que em 2014, poderá ser revista em baixa. Christine Lagarde disse na Universitas Indonesia que “espera que o crescimento mundial se mantenha moderado e provavelmente mais fraco do que antecipámos em julho passado”.

O índice composto de Xangai fechou a cair 1,28% sacudido pela divulgação de que o sector industrial da China poderá estar em contração, se o índice PMI, que reflete a opinião dos gestores de compras chineses no sector industrial, for tomada em linha de conta. O índice desceu em agosto para menos de 50, limiar abaixo do qual se considera que um sector está em contração. Antes do fecho de Xangai, já Tóquio registara quebras superiores a 3,8% nos seus dois índices principais, o Nikkei 225 e o TOPIX. Entre os principais índices bolsistas, as quebras em Tóquio lideraram esta terça-feira.

Seguiu-se a Europa com quebras bolsistas. Entre os principais índices, o FTSE 100 da Bolsa de Londres liderou com perdas de 3,03%. O Eurostoxx 50 (as 50 principais cotadas da zona euro) desceu 2,47%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, desceu 2,55%.

A volatilidade voltou a mostrar-se esta terça-feira. O índice de pânico financeiro para a China (VXFXI) subiu 17,79%, o relacionado com o Eurostoxx 50 na Europa (VIX Stoxx) aumentou 10,27% e o ligado ao índice S&P 500 de Wall Street (VIX CBOE) cresceu 10,27%. O índice que mede a volatilidade do índice de volatilidade em Wall Street (VVIX) subiu esta terça-feira 3,7%.

O índice da Bloomberg relativo a 22 matérias-primas caiu esta terça-feira 2,41%; desde início do ano já desceu 14,94%. Os preços das matérias-primas continuam a exercer uma pressão desinflacionista. O petróleo voltou a estar em foco com uma descida do preço de quase 10%, depois de uma surpreendente subida de 24% entre 27 e 31 de agosto. O preço do barril de Brent desceu de 54,15 dólares no fecho de ontem para menos de 49 dólares no fecho de hoje.

A diretora-geral do FMI resumiu, em Jacarta, as suas preocupações atuais em quatro riscos: a transiação de modelo económico na China, a segunda maior economia do mundo (primeira, se o PIB for avaliado em paridade de poderes de compra; o fraco crescimento no Japão, a terceira maior economia do mundo; a queda do preço das matérias-primas; e a incerteza sobre quando a Reserva Federal norte-americana iniciará o processo de subida das suas taxas diretoras de juros atualmente em mínimos históricos perto de 0%, uma alteração da política monetária, que, mesmo que gradual, terá repercussões mundiais.

  • Apesar das intervenções sucessivas do Banco central e do governo de Pequim, a bolsa de Xangai não consegue estabilizar em terreno positivo. Mas podia ter sido pior este início de setembro. O índice de Xangai chegou a estar a perder 4,5% na sessão da manhã desta terça-feira

  • Os índices de volatilidade atingiram máximos a 24 de agosto que já não se registavam desde outubro de 2011. Bolsas perderam em todos os continentes, com destaque para a Arábia Saudita e China. Preço do barril dispara nas últimas sessões do mês