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Novo presidente do Montepio diz que “será difícil ter lucros em 2015”

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Assumiu há menos de um mês, a 5 de agosto, a presidência do banco Montepio e a tarefa de “arrumar a casa”. José Félix Morgado anunciou esta segunda-feira prejuízos de €28,9 milhões relativos ao primeiro semestre. As contas do final do ano deverão fechar no vermelho

O atual presidente da Caixa Económica Montepio diz que, apesar dos prejuízos de €28,9 milhões registados no primeiro semestre deste ano, as imparidades para crédito estão a cair e a margem financeira melhorou. José Félix Morgado, assumiu ao Expresso que é urgente reduzir custos e reposicionar o banco.

Félix Morgado, que sucedeu a Tomás Correia à frente dos destinos do banco, diz que em 2015 o Montepio ainda vai ter prejuízos. "É difícil apresentar lucros no final do ano".

A estratégia delineada pela gestão do Montepio tem como prioridade "melhorar os níveis de eficiência do banco adequando-os aos riscos de mercado", afirma. E, prossegue, "arrumar a casa", no sentido de que é preciso "ajustar o banco à atual conjuntura económica e às novas exigências de supervisão e regulação, nomeadamente quanto a alterações dos requisitos de capital".

José Félix Morgado aceitou presidir ao Montepio porque, diz: "a instituição merece-me respeito" e porque considera que pode "ajudar o banco a reposicionar-se e a gerar valor para os associados". Confessa que a experiência que teve na reestruturação de empresas o ajuda a ter "uma visão sobre a economia que é uma mais-valia para o banco. É preciso estar do outro lado".

Afirma que o desafio no Montepio vai muito além dos lucros. "As instituições só são sustentáveis se gerarem valor". Por isso, quer acelerar uma estratégia de diversificação e sair rapidamente de sectores que foram muito caros, no passado, ao banco, como a exposição ao imobiliário e construção, para centralizar a atividade no segmento dos clientes particulares e das pequenas e médias empresas.

Para já, diz, não tem prevista qualquer redução de trabalhadores nem de agências, mas ressalva que "isso não quer dizer que não possa existir necessidade de adequar a estrutura ao negócio existente".

Questionado sobre a necessidade de vender ativos, como a seguradora do grupo, a Lusitania, adianta que "a posição do banco na seguradora não é para vender", esclarecendo que o banco tem 33% e o resto está nas mãos da associação mutualista. E acrescenta que "os ativos não core, como os seguros, serão geridos de forma a alargar a base do negócio da rede comercial do banco". A prioridade, repete várias vezes, "é melhorar os níveis de eficiência do banco".

Sobre a operação em Angola afirma que o grupo Montepio continuará neste mercado. "Não vamos sair de Angola". A abertura de capital a um parceiro local faz parte das regras angolanas e por isso o Montepio continuará a deter 51% da operação, mas é necessário imprimir" uma forma mais eficiente quanto às necessidades de capital em Angola".

Quanto à separação de águas entre a gestão do banco e a da associação mutualista (que o detém maioritariamente), está convicto de que irá trazer vantagens. "O novo modelo de governo passa por ter uma equipa dedicada a gerir um negócio que é cada vez mais exigente e deve por isso ser independente. É isso que esta equipa de gestão fará".

A associação mutualista tem injetado capital no banco, cuja génese seria gerar valor para o distribuir pelos associados. Este ano a associação mutualista teve de fazer um aumento de capital de €200 milhões e no futuro a ideia passa pela entrada de investidores institucionais. Para já, e segundo Félix Morgado, não há interessados em tomar parte desse capital.