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Mercado “às escuras” sobre o vencedor do Novo Banco

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Nuno Botelho

É uma roleta russa e não há informação. Por isso, no mercado financeiro os analistas não se atrevem a fazer prognósticos sobre o resultado das negociações entre a Anbang e o Banco de Portugal. Tudo é possível. Ou seja, a Apollo poderá ser repescada para novas negociações

As negociações entre a Anbang e o Banco de Portugal para compra do Novo Banco deverão estar a a ser duras, dizem os analistas. E que o que poderá estar a atrapalhar, sublinham, são as questões relacionadas com o Fundo de Resolução e eventuais exigências futuras de capitalização do Novo Banco impostas pelo Banco Central Europeu. É que em breve haverá teste de stresse e é possível que venham a ser feitas exigências de capital pelo regulador.

Por isso, a Anbang deverá querer introduzir cláusulas de salvaguarda no contrato de compra que possam ajudar a precaver capitalizações que eventualmente terá de fazer no futuro, e deverá querer descontar no preço final. Já o Banco de Portugal estará a fazer tudo para que o "buraco" no Fundo de Resolução seja o menor possível.

O montante a pagar pela Anbang e a forma como ele se irá descomposto será também um dos temas relevantes: quanto irá para o Fundo de Resolução, quanto irá para a capitalização do Novo Banco e quanto irá para fazer face a problemas futuros. O Fundo de Resolução injetou 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco e se a Anbang pagar um valor muito baixo vai ter de ser arranjar uma solução para repor o que falta. Quem vai acomodar as perdas do Fundo de Resolução também é um tema que está em discussão.

O arrefecimento da economia chinesa e o crash da Bolsa de Xangai na segunda-feira passada podem tornar o financiamento da Anbang ligeiramente mais difícil, defendem ainda os analistas, mas não será isso que irá travar a oferta. Os analistas lembram ainda que os contornos políticos da venda do Novo Banco também estarão a dificultar o encerramento do dossiê. A colição PSD/CDS quer fechar a venda até às eleições. Já a oposição quer o contrário. Um desalinhamento que também poderá servir para pôr pregos na engrenagem, admitem.

Resta esperar mais umas horas para saber o que irá acontecer - o prazo termina à meia-noite - e se o Banco de Portugal não terá de voltar a chamar a Apollo para novas negociações.