Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Lagarde e Merkel aproximam posições sobre mexida na dívida grega?

  • 333

Sean Gallup / Getty Images

A diretora-geral do FMI diz este domingo, em entrevista ao canal suíço RTS Un, que não propõe perdão da "insustentável" dívida soberana grega, mas a sua "reestruturação", com mexidas em prazos e juros dos empréstimos e adiamento de reembolsos

Jorge Nascimento Rodrigues

O Fundo Monetário Internacional (FMI) parece aproximar-se da posição alemã a propósito das mexidas na dívida grega no outono.

Christine Lagarde, a diretora geral do FMI, diz em entrevista difundida este domingo pelo canal suíço RTS Un que “o debate sobre a anulação da dívida [grega] nunca foi aberto! Não acho que seja necessário abri-lo se as coisas correrem bem”. E esclarece mais adiante que o FMI fala de “reestruturação!”, não de perdão, anulação, de dívida. “Falamos de prolongar os prazos, de reduzir as taxas de juro, de estender o prazo de reembolso por um determinado período”, esclarece. Lagarde refere-se, neste último caso, a um período de graça para o início de reembolso do capital e pagamento dos juros devidos.

Lagarde aproveita para recordar, nesta entrevista, um ponto de princípio do FMI nas recentes negociações sobre o terceiro resgate à Grécia: a dívida grega não é sustentável. E acrescenta, na entrevista, que acha que já ninguém discute essa evidência.

O FMI tem defendido, como condição para o seu envolvimento financeiro no terceiro resgate à Grécia, um acordo para uma segunda restruturação da dívida grega, no que respeita aos empréstimos - anteriores e no âmbito do resgate recente - por parte dos credores oficiais europeus (note-se que os empréstimos do FMI são excluídos dessa renegociação). O pontapé de partida para essa condição de princípio foi dado pelo seu ex-economista-chefe Olivier Blanchard quando tomou essa posição publicamente a 14 de junho no blogue do Fundo. O agendamento da questão tem sido apontado para depois do primeiro exame do andamento do terceiro resgate grego no outono.

Os técnicos do FMI defenderam sucessivamente diversas opções de "significativo alívio da dívida grega muito para além do que tem sido considerado até à data" (nas próprias palavras de Lagarde) no final de junho e em meados de julho nas duas análises que divulgaram sobre a (in)sustentabilidade da dívida grega. Uma das opções sugerida passava, efetivamente, por um perdão nominal de parte da dívida, com um "corte-de-cabelo" (hair cut) de 100% da dívida grega na rubrica de empréstimos bilaterais realizados por 13 países membros do euro no quadro do primeiro resgate, "ou outra qualquer operação similar". Envolvido nesse corte um montante de mais de 50 mil milhões de euros.

Nesta entrevista à televisão suíça, Christine Lagarde revela como trabalha com a chanceler alemã Angela Merkel: “É muito acessível na sua forma de trabalhar. Funciona de um modo simples. Comunicamos por SMS”. O que permite verificar primeiro que não se está a incomodar, e, em seguida, acelerar a resolução do assunto, explica a diretora-geral do FMI.

Lagarde confessa ainda o seu segredo pessoal para enfrentar a tensão das crises sucessivas que tem enfrentado na cena internacional: “boa alimentação e ioga são a chave”.