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Dia D no Novo Banco. Apollo avança se negócio com Anbang falhar

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Quanto vale o Novo Banco? A resposta tem sotaque chinês

Negociações ainda num impasse. Proposta chinesa caduca esta segunda-feira. Se falhar, proposta dos americanos da Apollo continua de pé. Plano B avança imediatamente

As negociações do Banco de Portugal com a Anbang para a venda do Novo Banco continuam num impasse. A proposta chinesa caduca no final desta segunda feira. Se não houver acordo, as outras duas propostas - da também chinesa Fosun e dos americanos da Apollo - continua válida, sabe o Expresso. Nesse caso, o Banco de Portugal deverá avançar imediatamente para negociações com a Apollo. A oferta dos americanos é mais baixa, mas melhor no que respeita a contingências futuras.

Como o Expresso revela em manchete na sua edição impressa deste sábado, as negociações que decorrem em exclusivo com a Anbang arrefeceram esta semana, por causa da crise nas bolsas asiáticas, que teve um impacto direto na Anbang, seguradora que detém uma carteira ampla de investimentos em ações chinesas, que se desvalorizaram fortemente nas últimas semanas. A renitência dos chineses para melhorar a proposta está a aumentar a probabilidade de a venda ser feita com um prejuízo superior ao previsto, na casa dos dois mil milhões de euros. Este valor desagrada ao Banco de Portugal, pelo que, se não houver evolução da parte dos chineses, pode não haver acordo, cenário de que o Governo nem quer ouvir falar. A proposta chinesa caduca à meia-noite de segunda para terça-feira.

Ao contrário da proposta da Anbang, as propostas da Apollo e da Fosun permanecem válidas depois dessa data. Nesse caso, o Banco de Portugal avançará para negociações com o candidato seguinte, que segundo várias fontes será a Apollo. A Apollo oferece um valor inferior ao proposto pela Anbang, o que pode ampliar o prejuízo imediato face aos 4,9 mil milhões de euros injetados há cerca de um ano pelo Fundo de Resolução.

Contudo, o modelo da proposta da Apollo é diverso e passa por realizar uma venda posterior de parte do capital do Novo Banco em Bolsa, com o encaixe gerado a ser destinado ao Fundo de Resolução. A Apollo terá além disso mostrado interesse em promover uma fusão entre o Novo Banco e o BPI. E as condições impostas pela Apollo para contingências futuras (resultantes de processos judiciais pendentes e de necessidade de aumento de capital provocados por crédito malparado e desvalorização do imobiliário) são menos rígidas do que as atualmente exigidas pela Anbang.

As negociações decorrem durante todo o fim de semana com a Apollo, sendo ainda possível um acordo até ao final desta segunda-feira. Caso contrário, a venda não pára - avança o Plano B com a Apollo.