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Casas particulares já têm mais de metade das camas dos hotéis

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A oferta da Airbnb disparou este ano 62% no Porto, que numa pesquisa efetuada por este portal ficou em 1º lugar como cidade mais interessante para ficar na Europa

FOTO D.R.

Turistas que vêm a Portugal ficam cada vez mais em apartamentos privados. A oferta está a disparar

Estão a multiplicar-se como cogumelos, um pouco por todo o país — e, no limite, qualquer habitação pode funcionar como local de hospedagem. A procura de casas e apartamentos de particulares para fazer férias, em alternativa aos hotéis, está a subir em flecha em Portugal, que já é um destino best-seller em grandes portais internacionais de reservas como Airbnb, HomeAway ou Booking.

Neste momento, há cerca de 26.700 alojamentos portugueses inscritos no portal da Airbnb, a maior rede mundial de reservas em casas particulares sediada em São Francisco, nos Estados Unidos. O destaque vai para Lisboa, com 10.200 habitações disponíveis para fins turísticos neste portal, ou para o Porto, com 2600. “Queremos ter ainda mais alojamentos em Portugal, por haver tantas pessoas interessadas em conhecer o país vivendo como os locais”, diz Andreu Castellano, diretor de comunicação da Airbnb a nível ibérico, adiantando que o volume de alojamentos portugueses neste portal evidenciou este ano, até agora, um crescimento de 65%, o que foi “superior ao dos maiores mercados da Europa”.

Ficar em casa com os turistas e mimá-los com ofertas

Segundo Andreu Castellano, os proprietários lusos optam maioritariamente por arrendar um quarto na casa onde vivem, partilhando-a com os turistas. Destaca ainda o facto de os portugueses serem “bastante hospitaleiros” a receber os hóspedes, preparando-lhes muitas vezes “mimos extra”, como a oferta de cestos com vinhos, queijos e outros artigos regionais. “Outro facto interessante sobre o apelo de Portugal é que, numa recente pesquisa que fizemos junto de viajantes americanos, o Porto ficou em primeiro lugar como a cidade mais interessante a visitar na Europa”, salienta o diretor da Airbnb.

O fenómeno estende-se à HomeAway, outro gigante internacional de reservas em casas particulares (com oferta em 190 países). “Portugal é o destino europeu que está a ter um dos maiores crescimentos em termos de procura nos pedidos de reserva no nosso portal”, frisa Sofia Dias, responsável para o mercado português.

Na HomeAway há atualmente 19.500 alojamentos portugueses disponíveis para vendas de dormidas, dos quais 8700 no Algarve, cinco mil na grande Lisboa e dois mil no Porto. “Este verão, Portugal está a ser o destino estrangeiro mais procurado pelos espanhóis, além de ser o terceiro mais procurado pelos franceses e o quinto pelos ingleses”, avança a responsável do portal internacional de reservas.

E não são só os estrangeiros a render-se a ficar em casas ou apartamentos particulares, também os portugueses estão a aderir maciçamente à modalidade, em particular quando viajam para o exterior. O portal HomeAway está a registar este verão um aumento de cerca de 40% nas reservas feitas por portugueses face ao ano passado, destacando-se a expressiva subida de 85% na procura de alojamentos no Brasil, de 73% em Itália ou de 68% em Espanha. “Deve-se ao facto de os preços dos alojamentos serem bastante acessíveis em relação à hotelaria tradicional e a oferta apresentar propriedades espaçosas adaptadas para famílias, grupos ou amigos”, explica Sofia Dias.

Portugal está a ser um sucesso crescente de vendas também no Booking, portal de reservas hoteleiras que integra, de forma crescente, alojamentos particulares. “Desde janeiro, estamos com um crescimento de 33% nas reservas para Lisboa face ao ano passado”, exemplifica Louise Lijmbach, holandesa que em 2005 fundou a Booking Portugal em Loulé e que, face ao crescimento da atividade, abriu entretanto escritório em Faro. Hoje, trabalham na Booking Portugal 33 pessoas.
Tanto a Airbnb como a HomeAway ou a Booking assumem como positivo o facto de Portugal ter agora uma lei reguladora do alojamento local, quando o arrendamento de casas particulares a turistas tinha anteriormente o estigma de “economia informal”.

Mas a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) contesta a “explosão do alojamento local” e o carácter “ultraliberal” do decreto-lei que entrou em vigor em novembro de 2014 e veio regular a atividade, apenas na preocupação de “tirar estes alojamentos da economia subterrânea e pô-los a pagar impostos”. Desde que saiu a lei, tem havido um “aumento galopante” nos alojamentos locais registados a nível nacional, atingindo 18.200 no início de agosto.

“E todos os dias estão a cair mais, a capacidade instalada não para de crescer”, sublinha Luís Veiga, presidente da AHP, chamando a atenção para o facto de portais como o Airbnb terem bastante mais alojamentos do que os ‘oficializados’.

“Só o alojamento local que está registado ultrapassa em muito as 100 mil camas”, refere. “Comparando com as 200 mil camas que há na hotelaria classificada, de uma a cinco estrelas, caminhamos para uma situação em que rapidamente irá haver paridade em número de camas”, afirma Luís Veiga, lembrando que “essa paridade de camas já existe, por exemplo, no Algarve”.