Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Incerteza total nos mercados financeiros não desapareceu

  • 333

Apesar de a Bolsa de Xangai ter fechado com ganhos, a Europa e Wall Street fecharam “mistas” esta sexta-feira. Índice da volatilidade da própria volatilidade continua elevado. O Nobel Robert Shiller diz que os investidores “simplesmente não sabem” o que virá a seguir

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados financeiros animaram-se com dois dias consecutivos de ganhos na massacrada Bolsa de Xangai, mas a última sessão da semana na Europa a em Wall Street terminou “mista”, com os índices Eurostoxx 50 e S&P 500 a fecharem ligeiramente em terreno positivo e o Dax de Frankfurt e o Dow Jones a encerrarem ligeiramente em terreno negativo.

Esta última semana de agosto ficará marcada a vermelho no ano de 2015: uma segunda-feira negra marcou a Bolsa de Xangai com a segunda maior derrocada do ano e uma das maiores da história das bolsas; Wall Street assistiu na terça-feira a uma inversão de trajetória na última hora da sessão como já não se via desde 29 de outubro de 2008, em pleno clímax da grande crise financeira; e os índices de pânico financeiro na China (relacionado com os Fundos investidores em bolsa), na Zona Euro (relacionado com o índice Eurostoxx 50) e em Wall Street (relacionado com o índice S&P 500) atingiram picos a 24 de agosto que já não se registavam desde os momentos críticos da crise de dívida grega e do corte de notação da dívida norte-americana em agosto e setembro de 2011.

Para se ter uma noção ainda mais forte do momento que se viveu esta semana, os analistas socorrem-se de um índice que mede a volatilidade do próprio índice de volatilidade ligado a Wall Street, designado por VVIX CBOE. Entre o final de julho e o pico de pânico financeiro a 24 de agosto, este índice subiu 106%. Desde 31 de julho até 28 de agosto, o índice subiu 56%.

O académico Robert Shiller, que ficou conhecido pelo aviso sobre a “exuberância irracional” em 2000 e que foi laureado com o Nobel de Economia, alertou, esta semana, no “The New York Times” que se vive “uma situação rara e ansiosa do tipo ‘simplesmente não sabemos’”, em que o mercado bolsista é “inerentemente arriscado, em virtude de uma psicologia instável do investidor”. O artigo intitulado “Rising Anxiety that stocks are overpriced” foi publicado na quinta-feira e gerou viva polémica.

Nos últimos trinta dias, os piores desempenhos bolsistas na Europa registaram-se com os índices das bolsas de Atenas, Amesterdão, Madrid e Frankfurt, com quebras superiores a 7,5%.

Desde o início do ano, a maior quebra bolsista mundial registou-se com o índice da Bolsa de Atenas, em virtude do processo turbulento, incluindo um ‘corralito’ bancário, que conduziu à assinatura do terceiro resgate à Grécia a 14 de agosto. À escala mundial, desde o início do ano, há três índices de bolsas importantes que perderam mais de 5% - o Dow Jones, com uma quebra de 6,6%; o Bovespa, de São Paulo, com uma queda de 5,7%; e o CSI 300 das principais cotadas das bolsas de Xangai e Shenzhen que caiu 5,4%.

Apesar de a Grécia ter saído do radar - em virtude da assinatura do terceiro resgate e da queda a pique do risco de bancarrota - depois de 14 de agosto e da Bolsa de Xangai parecer ter reanimado nestes últimos dois dias com a intervenção polivalente do Banco Popular da China e do Governo de Pequim, a incerteza continua bem presente.

O mês de setembro vai "testar" a receita de Pequim para as bolsas logo a seguir às comemorações da vitória sobre o Japão na 2ª Guerra Mundial nos dias 3 e 4, vai aclarar o sentido da ação da Reserva Federal norte-americana quanto a uma decisão de iniciar uma subida das taxas diretoras de juros (temendo-se um choque nos mercados financeiros internacionais e nas economias emergentes), que se reúne a 16 e 17, e vai ter dois momentos eleitorais europeus importantes na Catalunha e na Grécia (com as sondagens a apontarem para uma vitória do Syriza nas urnas por escassa margem).

O Banco Central Europeu realiza a sua reunião de política monetária na próxima quinta-feira, já depois de ser conhecida a previsão da taxa de inflação para agosto na zona euro, que deverá ser inferior à registada em julho (0,2%). Esta sexta-feira soube-se que Espanha regista uma previsão de inflação negativa de 0,5% para agosto e que a Alemanha não descolou de uma inflação de 0,1%.