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Frase de banqueiro central convence Wall Street que fecha com ganhos

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Ao fim de seis sessões consecutivas de perdas, os índices das bolsas de Nova Iorque fecham esta quarta-feira em terreno positivo. O presidente da Reserva Federal de Nova Iorque disse que aumentar as taxas de juro na reunião de 16 e 17 de setembro é, agora, “menos convincente”

Jorge Nascimento Rodrigues

Uma frase de banqueiro central norte-americano foi esta quarta-feira o suficiente em Wall Street para esquecer mais um dia de queda na Bolsa de Xangai e afastar a maré vermelha nas bolsas europeias.

Entre os cinco índices bolsistas com maiores ganhos registados esta quarta-feira à escala internacional, três são de Nova Iorque: o Nasdaq (das cotadas tecnológicas) subiu 4,24%, e, em Wall Street, os ganhos foram de 3,95% no Dow Jones 30 e de 3,9% no S&P 500. Os outros dois índices foram o Merval, de Buenos Aires, que liderou com ganhos de 5,24% e o OMX da bolsa de Helsínquia que subiu 4,32%.

A frase marcante foi proferida pelo presidente da Reserva Federal de Nova Iorque, William Dudley, que admitiu que o início da subida das taxas diretoras de juros da Reserva Federal (Fed) já na reunião de 16 e 17 de setembro é, agora, “menos convincente”. Foi o suficiente para animar esta quarta-feira os investidores nas bolsas de Nova Iorque que na terça-feira ao final da tarde haviam protagonizado uma reviravolta na trajetória dos índices, conduzindo a um fecho no vermelho.

O estoiro da bolha bolsista chinesa (que já soma mais de 43% desde o pico a 12 de junho) e a incerteza sobre a decisão que a Fed tomará nas próximas reuniões ainda a realizar em 2015 estão a marcar os humores dos investidores.

Recapitulando o dia, no sentido dos ponteiros do relógio: a volatilidade voltou a tomar conta da bolsa de Xangai e o índice composto fechou no vermelho, com perdas de 1,3%, inferiores, sem dúvida, às derrocadas de segunda e terça-feira, com descidas de 8,45% e 7,63% respetivamente; na Europa e Médio Oriente, as bolsas estiveram quase todas em terreno negativo, com as três principais quedas a registarem-se em Zurique, Riade e Amesterdão; nas Américas, registaram-se ganhos em Buenos Aires (com o índice Merval a ganhar 5,24%), Wall Street e São Paulo (com o índice Bovespa a ganhar 3,35%). O índice da Bolsa de Lisboa, o PSI 20, fechou a perder menos de 1%.

Os índices de pânico financeiro fecharam “mistos”. O VIX ligado ao índice europeu Eurostoxx 50 subiu 4,88%, enquanto o CBOE relacionado com o índice norte-americano S&P 500 desceu 15,8% e o VXFXI ligado ao comportamento dos fundos chineses que investem em cotadas caiu 11,13%.

No terreno das matérias-primas, prossegue a trajetória de queda dos preços. O índice Bloomberg para 22 commodities perdeu esta quarta-feira 1,32%; desde o início do ano já caiu 18,4%. Esta quarta-feira, as cinco maiores quedas de preços de matérias-primas registaram-se com a prata, zinco, óleo de soja, soja e açúcar, com descidas acima de 1,7%.

Fed vai adiar subida dos juros e BCE vai prolongar QE?

As duas interrogações têm surgido constantemente. As palavras desta quarta-feira do presidente da Reserva Federal de Nova Iorque retiraram o caráter iminente da decisão de subida das taxas diretoras pela FED somando-se às declarações de Vítor Constâncio e Peter Praet do Banco Central Europeu (BCE) sobre a possibilidade de ampliar a dimensão financeira da intervenção de compra de ativos (incluindo obrigações soberanas dos membros do euro) e o período de intervenção para além do final de setembro de 2016, um programa que é etiquetado de “QE”, acrónimo para quantitative easing.

Praet, economista-chefe e membro da direção executiva do BCE, afirmou esta quarta-feira que “não deverá haver nenhuma ambiguidade sobre a disposição e capacidade [do BCE] para atuar se necessário” face “aos recentes acontecimentos na economia mundial e nos mercados de matérias-primas” que provocaram um aumento dos riscos, ameaçando uma trajetória de subida da inflação na zona euro no sentido da meta da política monetária (inflação abaixo mas próxima de 2%).

O BCE reúne já na próxima semana, a 3 de setembro, e os analistas e investidores vão estar atentos às declarações de Mario Draghi, o presidente do banco central.

Entretanto, os analistas procurarão “sinais” sobre movimentos de política monetária na cimeira anual de banqueiros centrais de todo o mundo organizada pela Fed em Jackson Hole, nos EUA, que decorre na sexta-feira e no sábado.

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