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Reviravolta em Wall Street. Sexta sessão consecutiva da bolsa no vermelho

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Foi uma terça-feira não recomendável a cardíacos. Em Xangai registou-se nova derrocada. Mas, depois, a Europa acumulou ganhos. Finalmente, em Nova Iorque a trajetória positiva alterou-se à tarde e os índices S&P 500 e Dow Jones fecharam a cair mais de 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

A derrocada bolsista em Xangai pela segunda sessão consecutiva parecia estar a ser compensada pelos ganhos significativos na Europa e com uma boa abertura em Wall Street esta terça-feira. Mas a tarde trouxe uma surpresa.

A trajetória positiva dos índices de Wall Street alterou-se e a bolsa nova-iorquina acabou por fechar a perder mais de 1%. Os analistas falam da maior reversão de trajetória bolsista em Wall Street desde 29 de outubro de 2008, a quarta-feira negra.

O índice S&P 500 fechou a cair 1,35% e o índice Dow Jones perdeu 1,29%. O S&P 500 está há seis sessões em terreno negativo.

Em suma, foi um dia nas bolsas não recomendável para cardíacos. O Banco Popular da China, o banco central, resolveu agir no âmbito da política monetária, cortando as taxas diretoras, e, juntamente com a melhoria do clima de negócios na Alemanha revelado pelo instituto Ifo, esperava-se um dia de recuperação no Ocidente. Na Europa, as bolsas de Atenas e Milão lideraram os ganhos, depois de na segunda-feira terem liderado as perdas. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, depois de ter perdido 5,8% no dia anterior, registou esta terça-feira uma subida de 4,71%.

As cinco maiores quedas bolsistas verificaram-se esta terça-feira na China (derrocada de mais de 7%), Finlândia (com o índice OMX 25 a cair mais de 5%) e Japão (Nikkei 225 perdeu quase 4% e TOPIX caiu 3,3%). Os maiores ganhos diários registaram-se nas Bolsas de Atenas (+9,38%), Riade, na Arábia Saudita (+7,38%) e Milão (+5,86%).

Os índices de volatilidade na Europa e nos EUA desceram dos picos de segunda-feira acima de 40, mas mantém-se acima de 30, quando em meados de agosto estavam abaixo de 20. O pânico financeiro abrandou esta terça-feira, apesar da segunda derrocada em Xangai, mas o índice do medo, como é conhecido, mantém-se elevado. O preço do índice VIX ligado ao índice bolsista europeu Eurostoxx 50 caiu esta terça-feira para 33,65 euros, uma descida de 17,5% e o preço do índice CBOE ligado ao índice bolsista S&P 500 de Wall Street fechou a cair para 36,02 dólares, uma queda de 11,59%.

Em relação à bolsa chinesa, uma avaliação da volatilidade pode ser obtida a partir da variação do índice CBOE relacionado com os Fundos que investem em cotadas nas bolsas chinesas (o índice é conhecido pela designação completa de CBOE China ETF Volatility Index). O preço deste índice de volatilidade atingiu na segunda-feira um pico de 58,78 dólares, um nível que já não se observava desde setembro e outubro de 2012, e baixou para 53,03 esta tarça-feira.

A expetativa dirige-se, agora, para o comportamento dos investidores nas Bolsas de Xangai e Tóquio na abertura de quarta-feira. Alguns analistas admitem que a bolsa chinesa vive uma espécie de “1929” em curso, com uma correção, desde o pico a 12 de junho passado, de mais de 42%. O economista Michael Pettis, professor em Pequim, caracterizou o mercado bolsista chinês como "brutalmente volátil", que negoceia na base "do consenso sobre o consenso", implicando mudanças muito rápidas no consenso entre os investidores.