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China tenta travar o pânico: taxas de juro cortadas, milhões injetados no sistema bancário

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OLIVIA HARRIS / Reuters

Depois de segunda-feira ter sido o pior dia em oito anos, esta terça não foi muito melhor para a bolsa de Xangai. Banco Popular da China interveio após o fecho do mercado bolsista local

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma injeção de liquidez de 250 mil milhões de yuan - o equivalente a 34 mil milhões de euros - durante esta terça-feira no sistema bancário chinês, que não travou a derrocada bolsista, o Banco Popular da China (BPC), o banco central, decidiu ir mais além e acaba de cortar a taxa diretora de juros em 25 pontos base, descendo-a para 4,6%.

A medida foi divulgada esta terça-feira após o fecho do mercado bolsista na China, com o índice composto da bolsa de Xangai a cair mais de 7,6%, com uma queda acumulada de mais de 16% em dois dias desta semana.

A última operação deste género realizou-se a 27 de junho, quando o banco central chinês cortou 25 pontos base, descendo a taxa diretora para 4,85%. Desde novembro de 2014 é o quinto corte de juros.

O banco central decidiu ainda cortar em 25 pontos base a taxa de remuneração de depósitos dos bancos nos cofres do BPC (desincentivando o parqueamento de depósitos dos bancos), que desceu para 1,75%, e baixar, a partir de 6 de setembro, em 50 pontos (meio ponto percentual) base o rácio de reservas obrigatório para os bancos chineses, o que permite libertar mais liquidez para a economia. A Goldman Sachs prevê que o rácio de reservas venha a ser reduzido em mais 100 pontos base (o equivalente a 1 ponto percentual) até final do ano, em dois movimentos similares ao desta terça-feira.

As medidas de política monetária anunciadas pelo banco central seguem-se à divulgação no domingo do novo plano para o Fundo público de Pensões que passa a ser autorizado a aplicar até 30% do valor líquido dos seus ativos no mercado bolsista doméstico, o que sucede pela primeira vez.

Anteriormente, o fundo só estava autorizado a abrir depósitos em bancos e comprar dívida pública. Agora, segundo o plano divulgado pela agência chinesa Xinhua, os 3,5 biliões de yuan (equivalentes a mais de 470 mil milhões de euros) do Fundo poderão "diversificar", estender as suas aplicações não só ao mercado bolsista doméstico, como adquirir obrigações convertíveis, instrumentos monetários de mercado, futuros, ações de empresas estatais e instrumentos de dívida titularizados, e investir em projetos de infraestruturas.

  • Pânico financeiro dispara

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