Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Pânico financeiro dispara

  • 333

FOTO EPA

Volatilidade bolsista aumentou esta segunda-feira 35% na Europa e 45% nos EUA. Desde 3 de agosto disparou 127% na Europa. Atenas, Xangai e Buenos Aires lideraram derrocadas nas Bolsas. Preço do Brent abaixo de 43 dólares

Jorge Nascimento Rodrigues

A volatilidade regressou ao padrão de níveis elevados de agosto e setembro de 2011, quando o mundo era abalado pelo desenrolar da crise da dívida soberana na zona euro e pelo corte de notação da dívida de longo prazo norte-americana perdendo o estatuto de triplo A.

O pânico financeiro voltou esta segunda-feira à ribalta na Europa com o índice VIX ligado ao índice bolsista Eurostoxx 50 a fechar acima de um preço de 40 euros, registando uma subida de 35% em relação ao final da semana passada. Durante a sessão chegou a 45. No caso dos Estados Unidos, o índice CBOE relacionado com o índice bolsista S&P 500 fechou com um preço de 40,74 dólares, uma subida de 45,3% em relação a sexta-feira e chegou a registar 51 pelas 16h de Nova Iorque. Não se registavam estes níveis desde há quatro anos.

O índice de pânico financeiro ligado ao Eurostoxx 50 disparou 127% desde 3 de agosto. Estes índices de volatilidade são lidos como indicadores de “medo” nos mercados financeiros.

O primeiro dia de negociação desta semana foi, de facto, marcado pelo segundo maior crash do ano na Bolsa de Xangai, com o índice composto a fechar com perdas de 8,46%. Os analistas sublinham que a agência estatal China Securities Finance não interveio esta segunda-feira no mercado financeiro. Depois de uma “bolha” que “engordou” em mais de 150% o índice composto de Xangai entre 19 de junho de 2014 e 12 de junho de 2015, a correção até ao fecho desta segunda-feira soma quase 38%.

China como catalisador

O contágio chinês arrastou uma queda de quase 6% no índice BSE Sensex da Bolsa de Mumbai e de 5,2% no Hang Seng de Hong Kong, entre as quedas mais importantes na Ásia. A Europa fechou no vermelho, com o índice de Atenas a afundar 10,5%, o MIB da Bolsa de Milão a cair quase 6% e o PSI 20 a fechar com perdas de 5,8%, entre as maiores quedas. Fecharam, também, com quebras superiores a 5%, as Bolsas de Paris, Amesterdão e Madrid.

Nos Estados Unidos, Wall Street fechou com quebras superiores a 3,5% nos seus dois principais índices, o S&P 500 e o Dow Jones. Durante os primeiros 20 minutos da sessão desta segunda-feira em Wall Street, mais de 100 títulos do índice S&P 500 registaram quedas de mais de 10%. Os eventos diários considerados mini-derrocadas no quadro do sistema nacional norte-americano dispararam para mais de 4500, algo jamais visto desde janeiro de 2012, como sublinhou Eric Scott Hunsader, fundador da Nanex, uma empresa de ponta na análise de mercados. Na América do Sul, a maior quebra registou-se com o índice Merval de Buenos Aires.

Nos últimos 30 dias, os recordistas de perdas acumuladas são o índice da Bolsa de Riade (Arábia Saudita) com uma quebra de mais de 25%, o índice composto de Xangai com uma queda de mais de 21,5% e o índice RTSI da Bolsa de Moscovo com uma desvalorização de 15,6%. Com perdas superiores a 15% nesse período, seguem-se os índices das Bolsas de Taiwan e de Hong Kong.

A China está a ser encarada como o catalisador do atual pânico financeiro global desde que se instalou a dúvida sobre qual a dimensão do abrandamento do crescimento da segunda maior economia do mundo (com muitos analistas a apontarem para uma previsão de taxa anual abaixo da meta oficial de 7%) e o significado real da decisão do Banco Popular da China, banco central, de desvalorizar o yuan em relação ao dólar entre 11 e 13 de agosto. Nos últimos 30 dias, o euro valorizou 8,4% face à moeda chinesa e 5,1% face ao dólar. O dólar só se valorizou 4,4% em relação à moeda chinesa naquele período.

Recorde-se que a desvalorização recente do yuan ocorreu depois de uma valorização de mais de 11,5% desde dezembro de 2013 até final de julho de 2015, em termos reais efetivos, segundo dados do Banco de Pagamentos Internacionais.

Barril de Brent abaixo de 43 dólares

O economista norte-americano Lawrence Summers interrogou-se esta segunda-feira se os mercados financeiros estão a sinalizar um “estado inicial de uma situação muito mais séria” e teme que uma decisão da Reserva Federal (Fed) do seu país no sentido de iniciar a subida das suas taxas diretoras ainda este ano possa acelerar o pânico global. O Banco Central Europeu reúne a 3 de setembro e a Fed a 16 e 17 do mesmo mês. Devido à incerteza atual, o Barclays projeta uma primeira subida dos juros pelo banco central norte-americano só em março de 2016.

O temor pela aproximação de “algo mais sério” adensa-se com o que se passa nos mercados de matérias-primas. O índice da Bloomberg para 22 matérias-primas caiu esta segunda-feira 2,2% e desde o pico em 29 de abril de 2011 já desceu 51%. Com quedas superiores a 5% registadas esta segunda-feira incluem-se os preços do barril de petróleo de Brent (quebra de 6,4%, descendo para 42,65 dólares), da gasolina reformulada (com uma queda de 5,7%), do barril de petróleo da variedade norte-americana WTI e do paládio. Desde o início do ano, as cinco maiores quedas de preços, acima de 25%, incluem o açúcar, o barril WTI, o paládio, o café e o barril de Brent.

No mercado cambial, a desvalorização de algumas moedas está correlacionada com a quebra dos preços das matérias-primas. A liderar as quedas em relação ao euro, esta segunda-feira, o rublo russo (desvalorizou 5,6%), o ringgit malaio (-4,58%), o real brasileiro (-4,53%) e o rand da África do Sul (-4,48%).

  • #Blackmonday

    Foi uma segunda-feira negra e em queda livre nas bolsas mundiais. Não se via nada assim desde 2008, quando rebentou a crise financeira na sequência do colapso do Lehman Brothers. Já havia sinais, mas as descidas desta segunda-feira não eram esperadas

  • Os índices da Bolsa de Xangai fecharam esta segunda-feira com novo recorde de perdas desde 2007. O índice composto registou uma queda de 8,49%, superior à verificada em 27 de julho. Bolsas europeias abrem no vermelho