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Este agosto não está tão querido

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JUSTIN LANE / EPA

Miguel Gomes tem-nos dado muito: “Tabu”, os volumes de “As mil e uma noites” e houve aquele terramoto de há uns anos, o documentário acompanhado de filme (ou vice-versa) “Aquele querido mês de agosto”, que além de engenhoso e prodigioso tem um título feliz, emigrante e muito português. Que agora recuperamos - para recomendar que veja ou reveja o filme e porque um analista explica precisamente como agosto influencia a nossa perceção do que acaba de acontecer no mundo - as bolsas mundiais tiveram esta segunda-feira um dia a fazer lembrar os piores de 2008, quando o Lehman Brothers estourou

Os analistas contactados pela Lusa consideram que as quedas generalizadas nos mercados bolsistas devem-se à desvalorização da moeda chinesa e ao receio de uma nova recessão mundial, mas dizem não se tratar do início de um ciclo de perdas. E sublinham a especificidade de estarmos em agosto.

"Neste momento, não pressinto que seja um problema semelhante ao vivido em 2008, a seguir à falência do Lehman [Brothers]. O facto de estarmos em agosto, um período com menos liquidez, também contribui para que as quedas pareçam maiores. Mas é difícil prever onde nos pode levar o rebentar de uma bolha na China", afirma Rui Bárbara, gestor de ativos do Banco Carregosa.

As principais praças financeiras da Europa registaram esta segunda-feira fortes descidas, penalizadas pelo desempenho das bolsas asiáticas, sobretudo a queda da bolsa de Xangai, a maior em oito anos. Lisboa teve a pior sessão desde a crise de 2008.

Rui Bárbara explica que estas quedas "foram desencadeadas pela desvalorização da moeda chinesa", que levou os investidores a concluírem que o abrandamento da economia chinesa "pode estar pior do que se julgava". Para Rui Bárbara, "o que está a causar todos estes movimentos de venda é o receio de que o mundo entre em recessão outra vez", embora afaste a possibilidade de se tratar de o início de um ciclo de perdas.

Também Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio, considera que há três fatores que explicam o desempenho dos mercados na sessão desta segunda-feira: os receios em relação ao abrandamento económico da China, as dúvidas em relação à capacidade da economia norte-americana e ainda a situação política grega, que se complicou com a demissão do primeiro-ministro.

"Este sentimento negativo nos mercados ocorre num período que é normalmente marcado pela baixa liquidez, devido ao período de férias, e resultou dos receios em relação a um abrandamento pronunciado por parte da China. (...) A penalizar o sentimento têm estado também os receios dos investidores em relação à capacidade da economia americana manter o ímpeto de crescimento, atendendo ao impacto cumulativo do abrandamento da China, do dólar forte e do impacto da expectativa de subida de taxas por parte da Fed", diz Rui Bernardes Serra em resposta à Lusa.

Além disso, o economista do Montepio destacou ainda que os eventos "estavam a ser favoráveis na Grécia", depois de o parlamento alemão ter aprovado o terceiro resgate, mas sublinhou que "a situação política se adensou com a demissão do primeiro-ministro grego".

Questionado sobre se antecipa que esta queda bolsista se trata de um movimento de longa duração, Rui Bernardes Serra refere que, "no pressuposto de que a China não está de facto a abrandar de uma forma demasiado intensa e que não existem surpresas negativas escondidas (...), espera-se que os mercados acionistas recuperem, ademais se as taxas de juro de longo prazo nas principais economias continuarem baixas".

No entanto, o economista do Montepio entende que "se as taxas de juro de longo prazo caminhassem mais rapidamente para os seus valores médios históricos", provavelmente poderia haver "uma recuperação lenta dos mercados de ações".

No caso do PSI20, que fechou esta segunda-feira a perder 5,80% (a pior sessão desde 2008), com todas as cotadas a desvalorizarem, Rui Bárbara, do Banco Carregosa, disse que esta queda foi "provocada essencialmente pelo arrastar da tendência do exterior", a qual foi "comum aos principais mercados na sessão desta segunda-feira".

  • Os índices da Bolsa de Xangai fecharam esta segunda-feira com novo recorde de perdas desde 2007. O índice composto registou uma queda de 8,49%, superior à verificada em 27 de julho. Bolsas europeias abrem no vermelho

  • #Blackmonday

    Foi uma segunda-feira negra e em queda livre nas bolsas mundiais. Não se via nada assim desde 2008, quando rebentou a crise financeira na sequência do colapso do Lehman Brothers. Já havia sinais, mas as descidas desta segunda-feira não eram esperadas

  • A pior semana do ano para as bolsas mundiais

    A Alibaba e o Twitter foram estrelas da Bolsa. As suas estreias no mercado foram estrondosas. Hoje, as suas cotações estão em mínimos. O Twitter já vale menos do que na entrada em Bolsa. A Alibaba está muito perto disso. E as quedas dos mercados acionistas não dão sinais de estar perto do fim