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Preço do petróleo fecha em mínimo de seis anos

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O preço do barril de Brent fechou a semana perto dos 45 dólares, o que já não se registava desde janeiro de 2009. A quebra durante a semana foi de 7%. Nos últimos trinta dias, o preço do Brent foi o que mais caiu no conjunto das matérias-primas

Jorge Nascimento Rodrigues

O preço do petróleo continua em queda livre. O barril de Brent fechou a semana a cotar 45,31 dólares, um valor que já não se registava desde janeiro de 2009. A quebra do preço durante a semana foi de 7%. Foi a matéria-prima cujo preço mais caiu nos últimos trinta dias, com uma correção em baixa de quase 20%.

Segundo a unidade de investigação do Bank of America Merrill Lynch desde meados de julho que a queda de preços está a refletir uma procura mundial fraca, mais do que um excesso de oferta (estimada em 2 milhões de barris por dia). A desaceleração da economia chinesa no primeiro semestre do ano (inferior a 7% e, segundo alguns, próximo de 5%), o crescimento medíocre na Zona Euro (0,3% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior), a recaída ma recessão no Japão no segundo trimestre e a recessão no Brasil e na Rússia estão a marcar negativamente o andamento da economia mundial.

A queda de preços no petróleo insere-se num movimento global de afundamento dos preços das matérias-primas desde o pico em abril de 2011. O índice das commodities da Bloomberg caiu 1,6% na sexta-feira e a sua trajetória de queda é particularmente acentuada nos últimos doze meses: caiu 30%. Desde o início do ano, desceu quase 16%. Desde o pico em abril de 2011, caiu 50%.

Na semana que findou, sete matérias-primas viram os seus preços cair mais de 5%. A liderar as quedas, o café com uma quebra de 8,4%. Seguem-se a gasolina reformulada (-8,2%), o Brent (-7,9%), o petróleo da variedade norte-americana WTI (-6,7%), o gasóleo (-6,6%), o óleo de aquecimento (-6,3%) e o óleo de soja (-5,93%).

Nos últimos trinta dias, a queda de preços foi liderada pelo Brent (-19,8%), seguido do petróleo WTI (-18,2%), da gasolina reformulada (-15%), do gasóleo (-14,6%) e do óleo de aquecimento (-13%), a que se juntam o zinco e a soja com uma quebra de 11,4%.

O grupo das matérias-primas ligadas à energia dominou claramente as quedas de preços na última semana e nos últimos trinta dias. Desde o início do ano, as quedas de preço são lideradas pelo açúcar de cana em bruto (uma descida superior a 28%), pelo paládio (-24,6%), pelo petróleo WTI (-24,5%) e pelo café (-24,4%).

O mercado cambial e as bolsas de ações refletem este clima negativo. Na última semana, 30 índices bolsistas caíram mais de 5%. A liderar as quedas, o índice CSI 300 de Xangai com uma quebra de 11,9%. No “clube” de topo, o movimento de quebra é transversal a várias geografias económicas. Nele se incluem também o índice Merval da bolsa argentina (-8,4%), o DAX de Frankfurt (-7,8%), o Nasdaq de Nova Iorque (-6,8%), o Hang Seng de Hong Kong (-6,59%), o CAC de Paris (-6,57%) e o Aex da Holanda (-6,55%).

Um dos movimentos correlacionados com a quebra dos preços das matérias-primas abrange as divisas. Nos últimos trinta dias, com desvalorizações superiores a 10% incluem-se o rublo russo (com uma quebra de 24,5%), o ringgit malaio (-13,6%), a lira turca (-13%), o real brasileiro (-12,9%) e o peso chileno (-10%). Nos últimos doze meses, o “clube” de topo das desvalorizações inclui o rublo (quebra de 60%), o real (-30,6%), a lira turca (-14%) e a coroa norueguesa (-13,6%).