Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsa de Xangai perde 11,5% durante a semana

  • 333

Permanece a incerteza sobre o real ritmo de abrandamento económico na China, se está a ser efetivamente "suave" ou não

JEROME FAVRE / EPA

O índice composto da principal bolsa chinesa caiu 4,21% esta sexta-feira. A segunda queda mais importante do ano registou-se na terça-feira com um crash de 6,16%. Foi uma semana vermelha em Xangai

Jorge Nascimento Rodrigues

A Bolsa de Xangai fechou a semana no vermelho e registou uma perda de 11,5% em relação ao fecho a 14 de agosto.

O índice composto de Xangai fechou a sessão de sexta-feira a cair 4,21%, depois de no dia anterior ter perdido 3,39%. Esta semana, o índice fechou em terreno negativo em três sessões. Desde o início do mês de agosto, as sessões no vermelho estão em maioria, oito sessões em 15.

A segunda maior quebra do índice durante este ano registou-se na terça-feira com uma queda de 6,16%. A liderança nas quedas desde o início do ano permanece com o crash de 8,48% registado a 27 de julho.

Por seu lado, o índice CSI 300 caiu esta sexta-feira 4,57%. Esta semana perdeu 10,8%.

Esta correção na principal bolsa chinesa ocorre depois de uma bolha nos últimos doze meses: o índice composto de Xangai ganhou mais de 63% e o CSI 300 mais de 53% nesse período.

Índice da indústria em mínimo de mais de seis anos

A manhã de sexta-feira foi agitada pela divulgação do índice preliminar para a indústria transformadora chinesa, o índice Caixin indústria (Caixin China Manufacturing Purchasing Manager's Index), em agosto, que desceu para 47,1, um mínimo de quase seis anos e meio. Em julho, o índice registara 47,8 e o consenso entre os analistas ouvidos pela Bloomberg apontava para uma subida em agosto para 48,2. Na realidade desceu. Um nível abaixo de 50 sinaliza contração. Caixin é uma revista financeira independente chinesa e o índice é publicado em colaboração com a Markit Economics.

Permanece a incerteza sobre o real ritmo de abrandamento económico na China, se está a ser efetivamente "suave" (permitindo uma transição sem grandes sobressaltos para um novo modelo económico) ou não. As repercussões mundiais do grau de desaceleração da segunda maior economia do mundo (em PIB nominal) são cruciais, como se observa já com o impacto nas economias exportadoras de matérias-primas e de componentes.

Oficialmente, a meta de 7% de crescimento do PIB para 2015 mantém-se em Pequim, e o Fundo Monetário Internacional na sua recente análise anual à economia chinesa (ao abrigo do artigo IV do Fundo) prevê uma taxa de crescimento abaixo mas próxima dessa meta. Mas o Citi Research apontava recentemente para um crescimento de 5% no primeiro semestre deste ano.

Para alguns analistas, mais alarmante é o declínio rápido do nível de reservas em divisas, que "emagreceu" 340 mil milhões de dólares entre junho de 2014 - pico histórico - e julho de 2015, segundo dados do Banco Popular da China, o banco central. A China lidera o mundo com um nível de reservas em divisas superior a 3,7 biliões de dólares.

O panorama nas bolsas asiáticas é esta sexta-feira similar. O Nikkei 225, o principal índice da bolsa de Tóquio, fechou a cair 2,98%. Durante a semana esteve quatro sessões no vermelho e nove desde o início do mês. O índice Kospi da bolsa de Seul caiu 2% e esteve toda a semana no vermelho. O índice Hang Seng da bolsa de Hong Kong registava uma queda superior a 1% e esteve toda a semana em terreno negativo.

As bolsas na Europa e os futuros em Wall Street abriram em terreno negativo.