Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Resgate à Grécia está aprovado

  • 333

O Mecanismo Europeu de Estabilidade aprovou o novo resgate a Atenas. Com o sim dos parlamentos alemão e holandês, os ministros das Finanças da zona euro deram luz verde à primeira tranche do financiamento. Juros da dívida grega em 9,5%

Jorge Nascimento Rodrigues

O conselho de governadores do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) aprovou o novo resgate à Grécia, depois do sim dado pelos parlamentos alemão e holandês esta quarta-feira.

O novo Memorando de Entendimento foi assinado, em nome do MEE, pelo vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis, que assinalou o momento publicando um tweet com uma foto da assinatura.

Uma primeira tranche de 13 mil milhões de euros seguirá para Atenas esta quinta-feira a tempo do Tesouro grego amortizar as obrigações em carteira no Banco Central Europeu (BCE) e nos bancos centrais nacionais do Eurosistema num montante de 3,2 mil milhões e pagar o empréstimo intercalar de 7,2 mil milhões recebido em julho.

Uma outra parcela de 10 mil milhões ficará numa conta dedicada no MEE no Luxemburgo, onde o fundo financeiro europeu está sedeado, com vista a uma primeira fase de recapitalização da banca helénica.

O terceiro resgate deverá envolver cerca de 86 mil milhões de euros até agosto de 2018, incluindo um fundo para a recapitalização dos bancos até 25 mil milhões de euros financiado pelo MEE e outras tranches para Atenas pagar nomeadamente dívida externa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao BCE, evitando situações de incumprimento.

O envolvimento financeiro do FMI - que alguns analistas apontam como podendo envolver 16 mil milhões de euros, uma verba similar à que não foi utilizada do segundo resgate, em virtude do cancelamento deste - só será decidido pela equipa de Christine Lagarde depois do primeiro exame do novo resgate em outubro.

O montante final do resgate dependerá ainda das receitas efetivas oriundas dos ativos estatais do Fundo de Privatizações determinado pelo memorando de entendimento, bem como do financiamento possível nos mercados de dívida através do regresso do Tesouro grego a emissões obrigacionistas antes do final do programa.

Recorde-se que o último desembolso a Atenas no âmbito do segundo resgate ocorreu a 14 de agosto de 2014, há pouco mais de um ano, envolvendo um montante de mil milhões de euros emprestados pelo Fundo Europeu de Estabilização Finaceira (FEEF). O segundo resgate expirou no final de junho passado depois de uma extensão acordada em fevereiro com vista ao proseguimento das negociações com o novo governo grego saído das eleições legislativas antecipadas de 25 de janeiro de 2015.

Apesar da aprovação do financiamento, as yields das obrigações gregas a 10 anos fecharam esta quarta-feira no mercado secundário da dívida em 9,5%, sem alteração em relação ao fecho do dia anterior. Na segunda-feira haviam fechado em 9,08%, um nível que já não se registava desde o final de fevereiro. As yields das Obrigações do Tesouro português, naquele prazo, fecharam a subir para 2,56%.

Nos dois anteriores resgates, entre 2010 e 2014, Atenas recebeu um financiamento de 243,2 mil milhões de euros, em que o grosso foi assegurado por empréstimos bilaterais de 14 membros da zona euro (52,9 mil milhões, em que Portugal emprestou 1,1 mil milhões), do FEEF (141,8 mil milhões) e do FMI (39 mil milhões). Daquele montante, 65,1% foi destinado a financiar o pagamento da dívida obrigacionista e a realizar a reestruturação da dívida em abril e dezembro de 2012. Cerca de 20% foi aplicado na recapitalização dos bancos helénicos e apenas 10,1% se destinou a financiar o orçamento grego.