Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida grega em queda. Atenas à espera dos primeiros milhões do resgate

  • 333

O ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos (à dtª)

LOUISA GOULIAMAKI/ GETTY IMAGES

Os juros das obrigações helénicas a 10 anos desceram para 9% nas vésperas da votação no Parlamento alemão e do primeiro desembolso de 23 mil milhões de euros a Atenas

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de registarem um pico de 19,44% a 9 de julho, as yields das obrigações gregas a 10 anos desceram no mercado secundário da dívida na segunda-feira, durante a sessão, para 8,89% e abriram esta terça-feira perto de 9%, segundo dados da Investing.com.

A quebra de 10 pontos percentuais em menos de mês e meio deveu-se ao acordo obtido na cimeira do euro a 13 de julho, evitando a saída “temporária” da Grécia da zona euro, e posteriormente à aprovação pelo Parlamento grego e pelo Eurogrupo a 14 de agosto do memorando de entendimento (MoU) para o terceiro resgate a Atenas.

Esta redução a pique dos juros no prazo a 10 anos no mercado secundário ainda não atingiu o mínimo de 5,5% registado no final de agosto de 2014, um mínimo que já não se verificava desde maio de 2010. Foi em agosto do ano passado que o exame ao andamento do segundo programa de resgate começou a marcar passo gerando uma crise política na Grécia que levaria a eleições legislativas antecipadas em janeiro de 2015.

Atenas aguarda que o MoU do terceiro resgate seja aprovado no Parlamento alemão na quarta-feira, apesar da oposição de mais de meia centena de deputados das próprias fileiras da CDU/CSU da chanceler Angela Merkel. A coligação que suporta o atual governo de Berlim dispõe de 504 deputados num hemiciclo de 631.

Com a luz verde de Berlim pode concluir-se a assinatura por Atenas do memorando com o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o instrumento financeiro que irá financiar grande parte do terceiro resgate.

Esta terça-feira decorrem votações nos parlamentos de Espanha e Estónia. Na Áustria, também hoje um comité parlamentar votará o MoU.

O Parlamento holandês votará na quarta-feira e há expetativa de alguma turbulência política dado que o governo de coligação dispõe de uma maioria de apenas um voto, que pode ser fragilizada em virtude de oposição nas suas próprias fileiras ao resgate. A oposição interna dentro da coligação é manifesta no principal partido de suporte ao governo, o Partido Liberal VVD, do primeiro-ministro Mark Rutte.

Já aprovaram o resgate à Grécia os parlamentos da Letónia, Finlândia e França e o governo da Lituânia. Os parlamentos da Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Irlanda, Itália, Malta e Portugal não necessitam de aprovar o MoU.

Só €13 mil milhões seguem para Atenas

O acordo com o MEE prevê um primeiro desembolso de 23 mil milhões já em agosto, a tempo do Tesouro grego poder pagar o empréstimo intercalar de 7,2 mil milhões de euros contraído em julho e amortizar a 20 de agosto, na próxima quinta-feira, 3,2 mil milhões de euros em obrigações gregas na carteira do Banco Central Europeu e dos bancos centrais nacionais do Eurosistema. Dos 23 mil milhões, apenas 13 mil milhões seguirão para Atenas e destinam-se, em grade medida, a pagar dívida externa. Em setembro ou outubro está previsto um segundo desembolso de 3 mil milhões de euros. O Tesouro grego tem de amortizar dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) num total de 3,2 mil milhões de euros em setembro, outubro e dezembro.

Uma parcela de 10 mil milhões de euros ficará no Luxemburgo nos cofres do MEE para poder ser usada, caso a caso, pelos bancos gregos no quadro de uma primeira fase de recapitalização.

A recapitalização total da banca grega está estimada em 25 mil milhões de euros que foram inscritos no programa de resgate, e envolverá injeção financeira e custos de reestruturação. Os depositantes nos bancos gregos não serão afetados e apenas os credores poderão ser afetados pelas resoluções bancárias que forem implementadas até final do ano. A dívida sénior e subordinada nos bancos gregos soma 3,22 mil milhões de euros, segundo Manos Giakoumis do site Macropolis.

O total do pacote do terceiro resgate está estimado em cerca de 86 mil milhões de euros, mas o seu valor definitivo foi adiado para um acordo após o primeiro exame em outubro ao andamento da implementação do MoU e em função da decisão que, então, o FMI tomar de envolvimento financeiro ou não no resgate.

O FMI coloca como condições para o seu envolvimento financeiro – atá à data a sua participação no quarteto de credores oficiais é apenas a título técnico – a implementação do acordo por parte dos gregos, ou seja uma boa nota no primeiro exame em outubro, e um plano de “alívio da dívida” helénica aceite pelos credores oficiais europeus. O jornal alemão "Handelsblatt", citando um alto funcionário da Comissão Europeia, adiantou segunda-feira que os credores oficiais europeus poderão avançar para um prolongamento dos prazos dos empréstimos europeus à Grécia para 60 anos, no sentido de convencer o FMI.