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Rendas de casa ficam congeladas pelo segundo ano consecutivo

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Inflação muito baixa explica estagnação. Inquilinos podem respirar de alívio. Senhorios contestam

Em 2016, as rendas de casa deverão ficar inalteradas pelo segundo ano consecutivo. No cenário atual, alicerçado numa baixa taxa de inflação, os senhorios poderão aplicar, no máximo, um aumento residual, até 0,2%, dizem os jornais de hoje.

A notícia é manchete no Jornal de Negócios, Diário Económico e Diário de Notícias emerece, também, uma chamada à primeira página do Jornal de Notícias. O tom é comum em todos os diários, a garantir "rendas congeladas" ou um "aumento residual", traduzido, no máximo, numa "subida ligeira" de 700 mil rendas no próximo ano.

Na verdade, os valores oficiais só serão conhecidos dentro de ummês, mas a imprensa de hoje arrisca esta previsão com base nos dados da inflação publicados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística, uma vez que o índice médio de preços no consumidor dos últimos 12 meses, excluindo a habitação, registou uma subida de 0,06% em julho e, em agosto, deverá continuar próximo deste valor.

Oficialmente, a atualização das rendas, fixada por lei e publicada em Diário da República até ao último dia de outubro de cada ano, resulta da variação do índice de preços no consumidor, sem habitação, nos últimos 12 meses, considerando os valores disponíveis em agosto, mas, em regra, os dados de julho permitem já prever o que se vai passar.

Este ano, de acordo com a previsão do economista-chefe do Montepio, Rui Serra, citado pelo Diário Económico, o indicador de referência para esta atualização deverá ser de 0,2% em agosto e, tomando este valor como exemplo, quem paga uma renda de 500 euros, teráum aumento de 1 euro no próximo ano, o que "representa, na prática, um congelamento das rendas", afirma o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Menezes Leitão, ao mesmo jornal.

Este dirigente associativo contesta o indicador utilizado para atualizar as rendas por considerar que não faz sentido o sector guiar-se por um coeficiente que "não tem nada ver com habitação e que tem em conta apenas os preços de outros produtos".

Nas contas do “Jornal de Negócios”, a atualização residual das rendas poderá mesmo ser inferior a 0,1% depois de este ano, devido à inflação negativa de 2014, as rendas terem tido um aumento zero. “Se o IPC (índice de preços ao consumidor) sem habitação mantiver uma variação média de 0,06%, tal como a registada no mês de julho, isso implicará que uma renda de 500 euros, por exemplo, terá um aumento de apenas 30 cêntimos no próximo ano. Para uma renda de mil euros, representa um aumento de 60 cêntimos”, antecipa o jornal.

O “DN” aponta um intervalo de “0,2% a 0,3%” na taxa de atualização das rendas e sublinha que o valor a aplicar terá impacto direto sobre 700 mil famílias, uma vez que em Portugal há 700 mil contratos de arrendamento, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.