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Dívida grega vai subir para 201% do PIB com o resgate

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KARL-JOSEF HILDENBRAND / EPA

Com o terceiro resgate, o rácio da dívida grega vai subir em 2016 quase 25 pontos percentuais em relação ao atual nível, segundo a análise de sustentabilidade de dívida realizada pelos credores oficiais. Em 2022, o rácio ainda estará em 160%, 50 pontos percentuais acima da anterior meta colocada pelo FMI

Jorge Nascimento Rodrigues

O rácio da dívida grega vai subir para 201% do PIB em 2016. Se o memorando de entendimento para o terceiro resgate for integralmente cumprido, ainda estará em 159,7% em 2022, muito acima do limiar dos 60% do Tratado de Maastricht e mesmo da referência de 85% para as economias desenvolvidas usada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

São dados da análise de sustentabilidade da dívida grega agora realizada pelos credores oficiais e que o "The Wall Street Journal" e a Reuters publicam no dia em que a proposta de memorando e as ações prioritárias do governo para um orçamento retificativo de 2015 e para o orçamento de 2016 estão a ser discutidas no Parlamento helénico. A votação pode decorrer esta quinta-feira à noite ou já na sexta-feira de madrugada.

Fruto do terceiro resgate, o rácio da dívida em 2016 vai subir quase 25 pontos percentuais em relação ao dado mais recente de 177% do PIB antes do início do corralito bancário (encerramento dos bancos e da bolsa), a 29 de junho. Em relação à anterior meta colocada pelo FMI, de 110% do PIB em 2022, o rácio de 160% do PIB agora projetado para 2022 está 50 pontos percentuais acima. Em 2030 ainda estará em 122% do PIB.

Está a ser avançado que o pacote global do terceiro resgate envolverá 85,5 mil milhões de euros e receitas de privatizações para os três anos somando 6,14 mil milhões de euros.

Na proposta de memorando já conhecida, o Fundo de Privatizações a criar deverá garantir com ativos cerca de 50 mil milhões de euros que deverão ser emprestados pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade, com um primeiro desembolso ainda antes de 20 de agosto, que a Reuters adianta ser de 23 mil milhões de euros.

Uma fatia de 25 mil milhões de euros deverá ser aplicada numa recapitalização urgente da banca helénica até final do ano. As anteriores recapitalizações do sistema bancário helénico envolveram cerca de 44 mil milhões de euros de 2009 a 2014; a última intervenção, ao abrigo do segundo resgate, implicou uma injeção de 37,3 mil milhões entre 2012 e 2014.

O Tesouro grego tem 6,4 mil milhões de euros em amortizações ao Banco Central Europeu (com uma primeira data a 20 de agosto) e ao FMI até final de 2015 e mais 6,3 mil milhões em 2016.