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O que pode atrapalhar Draghi

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São quatro as “nuvens negras” a ensombrar o otimismo atual de Atenas e Bruxelas.

GRÉCIA

O otimismo reina em Bruxelas e em Atenas. Um memorando pode ser assinado em agosto. Atenas poderá receber um primeiro pacote do Mecanismo Europeu de Estabilidade para evitar voltar a estar na iminência de um default na dívida externa. O cenário de ‘Grexit’ (saída do euro) não está, no entanto, enterrado. A crise política pode reanimar-se em setembro após o congresso extraordinário do Syriza, o partido que lidera o atual Governo. O impasse na aplicação do terceiro resgate pode surgir se o primeiro exame em novembro não for satisfatório e se o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerar que os credores europeus não oferecem uma solução de alívio da dívida grega que permita o financiamento do programa pelo Fundo. O Banco Central Europeu (BCE) poderá voltar a ser posto à prova na contenção do contágio grego.

PETRÓLEO

O preço do barril de Brent já registou no início de agosto valores abaixo de 50 dólares, depois de um máximo desde o início do ano de quase 62 dólares a 6 de maio. Os futuros do Brent para o final do ano situam-se pouco acima de 51 dólares. O petróleo barato, a desvalorização do euro e as operações de mercado do BCE têm sido o tripé que, no curto prazo, tem permitido algum crescimento económico na zona euro, com a melhoria da balança externa e o financiamento da dívida pública em mínimos históricos ou muito baixos particularmente por parte dos periféricos do euro (com exceção da Grécia). Mas se os preços do barril regressarem aos mínimos do início do ano, perto de 40 dólares, a trajetória de subida modesta da inflação desde maio pode ser invertida e a meta do BCE ficar cada vez mais longe.

CHINA

A atenção tem estado centrada na queda das bolsas chinesas. Apesar do impacto reduzido, por ora, na economia real, esta derrocada pode afetar a credibilidade do Governo de Pequim. Mais importante é o andamento global da economia. A Citi Research alerta para um “triplo choque” proveniente da China. No primeiro semestre, o crescimento terá registado uma taxa de 5% abaixo da “narrativa oficial” de 7%. O primeiro impacto é sentido nas economias exportadoras de commodities e nos preços dessas matérias-primas que têm a China como mercado por excelência. Mas também se fará sentir em todos os exportadores para a China, pois a segunda economia do mundo será tentada a substituir importações, e mesmo nos mercados de países terceiros para onde a China poderá querer escoar excedentes, competindo com outros exportadores.

FED

Há consenso entre os analistas, endossado pelo FMI, que o início da subida de taxas diretoras de juros pela Reserva Federal norte-americana (FED) terá um impacto global. A FED não mexe nas taxas diretoras desde dezembro de 2008, quando as colocou num mínimo perto de 0%. Uma maioria de 82% dos 70 economistas ouvidos por “The Wall Street Journal” vaticinam o início da subida na reunião de 16 e 17 de setembro, mas os cálculos da Bloomberg sugerem uma probabilidade de 48% para tal decisão. Dennis Lockhart, presidente da Reserva Federal de Atlanta, afirmou que o início da subida está “próximo”. A divergência entre a política monetária da FED e a do BCE poderá ser benéfica para a zona euro, mas são indispensáveis políticas “pró-crescimento” e a correção dos desequilíbrios internos, avisa o FMI.

(Publicado na edição impressa do Expresso Economia de 8 de agosto de 2015)