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Desvalorização da moeda chinesa arrasta divisas regionais

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Alguns analistas falam do risco de uma guerra de divisas na Ásia depois do Banco Central da China ter desvalorizado esta terça-feira em 1,86% o yuan em relação ao dólar. A desvalorização face ao euro foi de 2,74%

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Popular da China, o banco central, decidiu esta terça-feira desvalorizar o yuan em 1,86% face ao dólar. A maior queda diária da divisa chinesa desde 1994.

Em relação ao euro, a desvalorização registada esta terça-feira foi de 2,74%. Nos últimos doze meses, o yuan havia valorizado em 15,13% face ao euro no quadro da transição da economia chinesa para taxas de crescimento menores e para uma dinâmica puxada pelo consumo doméstico. Em meados de março o euro descera para 6,5982 yuans; hoje subiu para quase 7 yuans.

A decisão chinesa arrastou um carrossel de desvalorizações de outras moedas da região, com destaque para as moedas de Taiwan, Coreia do Sul, Malásia, Singapura, Indonésia, Filipinas, Austrália, Índia e Nova Zelândia, referindo as que desvalorizaram esta terça-feira mais de 1% em relação ao euro. Alguns analistas falam do risco de uma guerra de preços.

As divisas dos parceiros da China na região estão na primeira linha de vítimas das alterações de política cambial da segunda maior economia do mundo. Os países da região mais expostos às flutuações na China em termos de exportação (de produtos ou de commodities) ou de competitividade em relação a mercados terceiros são os mais vulneráveis.

O preço do Barril de Brent, cotado em dólares, fechou esta terça-feira abaixo de 50 dólares, em 49,98 dólares. Foi a terceira sessão em agosto abaixo desse limiar. Na segunda-feira fechara a subir para 51,02 dólares. Preços abaixo de 50 dólares já não se registavam desde janeiro.

Choque triplo
Os analistas dividem-se, agora, entre os que aceitam que a desvalorização foi excecional, como alega o Banco central em Pequim, e os que sublinham tratar-se de um sinal de nervosismo face a um abrandamento da economia chinesa superior ao politicamente admitido.

A Citi Research tinha alertado na semana passada que a economia chinesa poderá ter crescido apenas 5% no primeiro semestre deste ano, muito abaixo da narrativa oficial de 7%. A resposta política a este abrandamento excessivo, por parte das políticas do Banco central, poderá levar a um choque triplo na economia mundial avisava a Citi Research, a começar pelo efeito negatico nos exportadores de commodities para a China, estendendo-se aos exportadores de produtos com possibilidade de substituição chinesa de importações, e aos concorrentes em mercados terceiros onde tanto a China como competidores se defrontam.

FMI desdramatiza
Em comunicado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) interpretou, esta terça-feira, a decisão do banco central chinês como um passo positivo no sentido da atribuir às “forças do mercado” um papel mais importante na determinação da taxa de câmbio do yuan, mas acautelou a sua reação acrescentando que o “impacto exato” da medida dependerá de como “o novo mecanismo é implementado na prática”.

O FMI sublinha, ainda, que esta decisão cambial chinesa não terá “implicações diretas” na avaliação dos critérios para a moeda chinesa ser incluída no cabaz de divisas globais que suportam a unidade de conta do Fundo (designada por direitos de saque especial), cuja revisão está para breve. Os técnicos do FMI já sugeriram, no entanto, que a inclusão do yuan seja adiada para avaliação no próximo ano.