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À espera do “sim” do Parlamento em Atenas, juros da dívida grega descem

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“A natureza crucial da situação exige a convocação imediata [de uma sessão] do Parlamento, para avançar com a aprovação do acordo e permitir o desembolso da primeira tranche”, escreveu Alexis Tsipras na carta que enviou à presidente do Parlamento na tarde desta terça-feira

ORESTIS PANAGIOTOU / EPA

Tsipras solicitou uma reunião de emergência dos deputados para que o acordo seja aprovado antes do Eurogrupo de sexta-feira. Na expetativa que o terceiro resgate à Grécia vá mesmo para a frente, os investidores na dívida baixaram a pressão no mercado secundário

Cátia Bruno e Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das obrigações dos periféricos da zona euro desceram esta terça-feira no mercado secundário da dívida na maturidade de referência, a 10 anos, com as yields das obrigações gregas a descerem mais de 1 ponto percentual para 10,31%.

A expectativa de aprovação de um memorando de entendimento para um terceiro resgate à Grécia é, agora, elevada, depois das negociações técnicas em Atenas terem chegado a uma plataforma de acordo.

No caso das yields das obrigações gregas foi a sexta maior descida deste ano. A maior descida registou-se a 10 de julho, de mais de 5 pontos percentuais (de um nível de quase 19% para o patamar dos 13%), quando um acordo político para um terceiro resgate começou a tomar forma afastando a possibilidade de uma saída da Grécia do euro.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam em 2,33%, refletindo uma descida de nove pontos base em relação ao fecho de segunda-feira. Desde dia 6 de agosto já recuaram 16 pontos base.

Refletindo o otimismo, a Bolsa de Atenas entrou na quarta sessão consecutiva de ganhos. O índice geral ateniense registou uma subida de 2,14% e os ganhos acumulados nas últimas quatro sessões somam 9,3%, insuficiente para neutralizar a quebra de quase 20% nas três primeiras sessões depois da reabertura da Bolsa.

Na sequência do fecho do acordo a nível técnico, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras pediu a convocação de uma sessão de emergência do Parlamento helénico, que interromperá as férias dos deputados, a fim destes poderem votar o acordo conseguido esta terça-feira entre a delegação grega e o quarteto de credores oficiais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Mecanismo Europeu de Estabilidade e Fundo Monetário Internacional).

“A natureza crucial da situação exige a convocação imediata [de uma sessão] do Parlamento, para avançar com a aprovação do acordo e permitir o desembolso da primeira tranche”, escreveu Tsipras na carta que enviou à presidente do Parlamento na tarde desta terça-feira. No entanto, Zoe Konstantopoulou - que votou contra as últimas medidas, tendo em vista um terceiro empréstimo, a 16 de julho - não parece ter tanta pressa. A presidente do Parlamento fez saber que irá apenas reunir-se na manhã de quarta-feira com os seus vices e decidir qual o calendário para o plenário dos próximos dias.

O acordo terá de ser votado quarta ou quinta-feira, a fim de poder ser discutido no Eurogrupo (órgão infirnal de reunião dos ministros das Finanças da zona euro) de sexta-feira e, posteriormente, nos outros Parlamentos nacionais. O objetivo de Tsipras é que a primeira tranche do programa possa chegar o mais cedo possível, a fim de poder ser feito o reembolso de 3,2 mil milhões de euros devidos ao BCE até 20 de agosto. No entanto, a Alemanha já fez saber as suas reservas, deixando claro que prefere ver um empréstimo-ponte em vez de um novo programa imediato.

Esta terça-feira Jens Spahn, vice-ministro das Finanças alemão, voltou a deixar claro que o Governo alemão prefere que qualquer programa grego conte com a participação do FMI. Segundo o “The Wall Street Journal”, a chefe da missão grega do Fundo em Atenas, Delia Velculescu, disse hoje que o FMI está disposto a participar no programa a partir de outubro, mas apenas se “a dívida do país se tiver tornado mais gerível até lá”, escreve o jornal, citando dois responsáveis europeus. Contudo, governos como o alemão já deixaram claro que um corte nominal da dívida grega, como admitiu o FMI, em uma segunda fase de negociações no outono, está fora de questão.

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