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Presidente do INE reage à polémica do desemprego: “O que aconteceu em maio não foi um erro”

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TIAGO MIRANDA

Alda Carvalho, presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), disse esta sexta-feira aos jornalistas que a revisão de 13,2% para 12,4% dos dados mensais do desemprego relativos a maio “foi resultado da aplicação da metodologia”. Confessou, contudo, que o INE ficou ”surpreso” com a dimensão da revisão

“Não foi um erro.” Foi desta maneira que Alda Carvalho, presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), reagiu às perguntas dos jornalistas a propósito da revisão do INE dos números mensais da taxa de desemprego em maio. Recorde-se que o INE começou por divulgar uma estimativa provisória que apontava para a subida do desemprego em maio para 13,2%, revendo depois este valor para baixo em 0,8 pontos percentuais, ou seja, 12,4%. Uma correção que levou a fortes críticas, nomeadamente por parte da coligação PSD/CDS-PP.

Numa reunião realizada esta sexta-feira de tarde com jornalistas, para explicar a metodologia e os conceitos das estatísticas sobre o mercado de trabalho que o INE produz, Alda Carvalho não quis comentar questões políticas, mas frisou que “o que aconteceu em maio não foi um erro”. “É o que resulta da aplicação da metodologia” para apurar os dados mensais sobre o desemprego. E lembrou que “há um custo de da rapidez da difusão da informação que deve ser conhecido e reconhecido”.

Recorde-se que os números mensais divulgados pelo INE correspondem, na realidade, a um período de três meses centrado no mês de referência. É o que em estatística se chama “trimestre móvel”. Assim, os números relativos a maio referem-se, na realidade, ao período que abrange abril, maio e junho.

Ora, o INE divulgou no final de junho os primeiros números sobre o trimestre móvel centrado em maio. Nessa altura, em que apontava para uma taxa de desemprego de 13,2%, tinha já a informação completa sobre dois dos meses abrangidos (abril e maio), mas ainda não tinha a informação sobre o terceiro mês, nesse caso junho. Para esse foi necessário fazer uma projeção. Esta metodologia seguida pelo INE (e amplamente testada, como frisou Alda Carvalho na reunião com os jornalistas) implica que os primeiros números sejam provisórios, sendo depois revistos no mês seguinte, quando já há a informação em falta. Nessa altura são publicados os números definitivos. Daí haver quase sempre lugar a revisões.

Marcos Borga

Alda Carvalho confessou, contudo, que o INE ficou “surpreso” com a dimensão da revisão. Por isso, “revisitámos todo o processo de produção das estimativas mensais e chegámos ao mesmo resultado”. E reforçou “não houve erro. A informação de base disponível na altura e a aplicação da metodologia, que é estável, conduziram àquele resultado”. Na prática, o que sucedeu foi que o resultado da previsão para o mês em que ainda não havia informação recolhida não coincidiu com o resultado da informação de campo que foi depois, efetivamente, recolhida. Daí a amplitude da revisão.

Face à polémica com os números, o INE está, contudo, a ponderar deixar de divulgar informação provisória e passar a divulgar os números mensais sobre o mercado de trabalho apenas quando as estimativas são já definitivas. Isso significaria que a informação passaria a ser divulgada com um atraso de perto de um mês em relação ao que acontece agora.

Ainda assim, Alda Carvalho ressalva que “consultámos os principais satakeholders – onde se incluem entidades públicas e privadas, como o Ministério da Economia e o Ministério da Solidariedade , Emprego e Segurança Social – e a resposta que recebemos foi que preferiam continuar a ter informação provisória, logo mais cedo, e que depois é revista”.

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    Por um lado, o Governo vê a descida do desemprego para uma taxa de 11,9% como um momento “histórico”, recuando a níveis anteriores à crise. Por outro lado, a oposição lembra os 313 mil empregos destruídos nos últimos quatro anos. O Expresso recuou até ao primeiro momento em que a taxa de desemprego esteve mais próxima da atual e comparou os números – desde a população ativa, empregada e desempregada, às idades dos trabalhadores e duração do desemprego. Notas rápidas: o desemprego de longa duração está mais alto, entre os homens está semelhante, na faixa etária 15-24 está mais alto e a grande diferença está nas mulheres e na faixa etária 25-34. E há menos emprego e menos população ativa na economia