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Petróleo atrapalha subida da inflação

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© Vincent Kessler / Reuters

O preço do barril de Brent está abaixo de 50 dólares há cinco sessões consecutivas neste início de agosto. Fechou a semana em 48,5 dólares. Deflação agravou-se em julho em Chipre e na Grécia. Governador do Banco de Inglaterra admite inflação negativa nos próximos meses

O preço do barril de Brent para entrega em setembro fechou a semana abaixo de 49 dólares, e está há cinco sessões consecutivas neste início de agosto abaixo de 50 dólares, o que já não acontecia desde janeiro. Pelas 21h30 cotava em 48,5 dólares.

Desde final de julho já desceu mais de 3 dólares e meio, quase 7%. No mês de julho o preço caiu 17,2%, a maior queda registada nas commodities, seguida, de perto, pela redução do preço do trigo, que foi de 15,3%.

O preço do Brent esteve abaixo de 50 dólares entre dezembro de 2008 e abril de 2009, em janeiro de 2015 e agora em agosto. Na véspera do Natal de 2008 desceu para 36,61 dólares. A 13 de janeiro de 2015 desceu até 41,03 dólares, o mínimo, por ora, do ano em curso.

Os futuros do barril de Brent apontam esta sexta-feira para um preço de pouco mais de 50 dólares em dezembro deste ao e de pouco mais de 61 dólares em dezembro de 2017.

Os analistas dividem-se em dois campos quanto à trajetória de evolução do preço do crude. Uns acham que há uma situação de sobreprodução que implicará que o preço não vai subir substancialmente até 2017. Outros discordam, dizendo que é exagerada a apreciação de que há um excesso de oferta no mercado do crude.

A par dos efeitos positivos na balança externa nas economias importadoras líquidas de crude e do impacto negativo nos exportadores desta commodity (com a Markit a vaticinar esta sexta-feira que a Venezuela vai ser a próxima vítima em termos de situação de bancarrota na dívida externa), o preço do petróleo tem uma influência importante na evolução da inflação. O que mexe com as metas de política monetária dos principais bancos centrais das economias desenvolvidas.


Governador do Banco de Inglaterra admite inflação negativa
O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, admitiu esta semana que não ficaria surpreendido se nos próximos meses se registasse inflação negativa e a análise do banco aponta para a aproximação da meta de 2% apenas no terceiro trimestre de 2017. O Reino Unido registou uma taxa nula de variação dos preços no consumidor em junho, não se conhecendo ainda o valor de julho.

Em junho, os Estados Unidos registaram 0,1%, o Japão 0,4% e a Zona Euro 0,2%, um nível que se manteve em julho, sendo níveis de inflação muito baixos (o que o Fundo Monetário Internacional chegou a designar por estado de ‘baixaflação’). A previsão para agosto na zona euro aponta para 0,16%, segundo alguns analistas. Ou seja, na zona euro, poderá regressar um processo de desinflação (descida da taxa de inflação), depois de ter saído do terreno de inflação negativa em abril.

Na zona euro, há países em situação de deflação (quebra do índice de preços) continuada. A Grécia e o Chipre estão nessas circunstâncias, com o primeiro a entrar no 29º mês consecutivo de inflação negativa, registando em julho -2,2%, um agravamento significativa em relação a -1,1% verificado em junho. Chipre apresenta a inflação negativa mais elevada da zona euro registando -2,97% em julho, um agravamento em relação a junho. Com inflação negativa em junho encontravam-se também a Eslováquia e a Lituânia na zona euro e a Polónia, Roménia e Bulgária na União Europeia. Na Europa, a Suíça tem visto o quadro de inflação negativa agravar-se: em julho registou -1,3%.

Atenção voltada para Espanha e Reino Unido
A Espanha está como o Reino Unido na expetativa de saber se transitou de uma inflação nula em junho para terreno negativo em julho. Em Portugal a inflação em junho foi de 0,8%. O segundo relatório do FMI sobre o andamento da economia portuguesa após o resgate, publicado esta semana, prevê uma inflação de 0,6% em 2015 só chegando a 1,7% em 2020.

A meta de inflação do Banco Central Europeu é um índice de preços no consumidor próximo de 2%. O último relatório do FMI sobre a zona euro, publicado no final de julho, prevê 0,2% em 2015 e projeta 1,7% em 2020, mesmo assim abaixo da meta.

A economia mundial está a ser marcada no início do segundo semestre por três fatores sistémicos:

- a queda dos preços das commodities (com destaque para o petróleo e as matérias primas alimentares);

- o abrandamento notório da segunda maior economia do mundo, a China, com a Citi Research a adiantar que o crescimento foi de 5% no primeiro semestre (muito abaixo da narrativa oficial de 7%);

- e a valorização do dólar em relação às divisas das principais economias do mundo (BRIC com exceção da China, Zona Euro, Japão, Reino Unido) e da maioria das economias emergentes.