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Alemanha prefere dar segundo empréstimo intercalar à Grécia

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WOLFGANG KUMM / EPA

Preferência de Wolfgang Schäuble é referida por jornal alemão que cita fonte do Ministério das Finanças. Bruxelas, Paris e Atenas preferem fechar as negociações do resgate este mês

Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, prefere que se conceda mais um empréstimo intercalar à Grécia para enfrentar a 20 de agosto as amortizações ao Banco Central Europeu (BCE), de modo a que haja mais tempo para a negociação em curso entre Atenas e o quarteto de credores oficiais com vista a um terceiro resgate.

“Um programa que deverá durar três anos e envolver mais de 80 mil milhões de euros necessita de uma base real sólida”, refere o diário “Sueddeutsche Zeitung” esta sexta-feira, citando uma fonte do ministério das Finanças alemão. “Mais um empréstimo-ponte é preferível do que um programa meio acabado”, terá referido a fonte ao jornal.

Já esta quinta-feira, o tabloide alemão “Bild” citava uma fonte governamental de Berlim, considerando que um acordo “não é alcançável” nas próximas duas semanas.

Esta posição de cautela contrasta com o otimismo em Bruxelas manifestado esta semana por Jean-Claude Juncker em entrevista à Agence France Presse acreditando que um acordo ainda é possível em agosto, “preferencialmente antes de dia 20” (quando vence a amortização das obrigações detidas pelo Banco Central Europeu e os bancos centrais nacionais do Eurosistema num montante de 3,2 mil milhões de euros). Na quinta-feira, o gabinete do primeiro-ministro grego declarou que Alexis Tsipras e o Presidente francês François Hollande teriam concordado que o acordo “pode e deve ser concluído logo a seguir a 15 de agosto”. Os dois governantes encontraram-se à margem da cerimónia de inauguração do novo Canal do Suez.

O eixo a favor do memorando já

Atenas, Paris e Bruxelas pretendem que o memorando de entendimento para o terceiro resgate avance rapidamente tendo em conta não só as necessidades de financiamento da dívida externa (nomeadamente amortizações ao BCE e FMI num total de cerca de 6,4 mil milhões entre 20 de agosto e 21 de dezembro), mas, também, a emergência de um primeiro pacote de recapitalização da banca helénica (que alguns analistas calculam em 10 mil milhões de euros a curtíssimo prazo num total de 25 mil milhões).

O Tesouro grego enfrenta uma amortização a 20 de agosto de obrigações detidas pelo BCE e pelo Eurosistema e em setembro tem de efetuar quatro pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) num total de 1,5 mil milhões de euros. Ao todo, entre 20 de agosto e 21 de setembro são cerca de 5 mil milhões de euros em necessidades de financiamento da dívida externa.

Na sequência do acordo na cimeira da zona euro em julho, Atenas recebeu do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira um empréstimo intercalar de 7,16 mil milhões de euros que permitiu pagar 2 mil milhões de euros em atraso ao FMI e 3,5 mil milhões em amortizações de obrigações ao BCE e ao Eurosistema. Na quinta-feira, Atenas mandou para Washington um cheque de 186,3 milhões de euros para pagamento de juros dos empréstimos do FMI.

Um rascunho do memorando de entendimento deverá ser colocado a circular este fim de semana, segundo a Open Europe. A portavoz do governo helénico adiantou que a votação do pacote global de resgate no Parlamento poderá realizar-se a 18 de agosto.

Dinheiro do FMI só na segunda fase

Entretanto, Thomas Ostros, membro suplente da direção do FMI, afirmou ao diário sueco "Dagens Nyheter" que há “um forte apoio” à participação do Fundo no terceiro resgate à Grécia, mas uma decisão no sentido do envolvimento financeiro, de concessão formal de um novo empréstimo, só deverá ser tomada no outono.

O FMI está a participar como parceiro técnico nas negociações em curso para um empréstimo de cerca de pelo menos 50 mil milhões de euros por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) com uma troika de credores oficiais europeus (Comissão Europeia, BCE, MEE), mas só deverá envolver-se financeiramente no que tem sido designado como segunda fase do processo, depois de um primeiro exame do andamento do novo resgate e dos parceiros europeus se comprometerem formalmente com um novo alívio da dívida grega.

Entretanto, pelo 29º mês consecutivo regista-se deflação na Grécia. O índice de preços no consumidor, divulgado esta sexta-feira, caiu 2,2% em julho, segundo o instituto nacional de estatística helénico.