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Trabalhadores de obra da Soares da Costa no Porto iniciam greve de zelo

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A Soares da Costa conta com 97 anos de atividade, “já teve sete mil funcionários e já foi a maior construtora”, diz presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro

Nuno Fox

Em causa está a falta de pagamento de salários em atraso. “Por mês, a empresa está a ter um custo de mais de 250 mil euros com trabalhadores na inatividade. Por um lado é de louvar: pagar aos trabalhares que estão em casa sem trabalhar. Mas ninguém quer estar parado", diz o presidente do Sindicato da Construção de Portugal

Os cerca de 30 trabalhadores da Soares da Costa em funções nas obras de ampliação de um hotel no Porto iniciaram esta quinta-feira uma greve de zelo até que lhes paguem pelo menos metade dos salários em atraso.

“Esta é única obra que empresa tem. Os trabalhadores estão parados em greve de zelo enquanto a empresa não apresentar, no mínimo, 50% do que deve”, indicou aos jornalistas o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro.

Depois de se reunir com os funcionários da empreitada na Ribeira, o sindicalista anunciou a intenção de pedir à Soares da Costa que explique aos trabalhadores “o que está a acontecer e qual é o futuro da empresa”, lamentando que a empresa gasta “por mês, mais de 250 mil euros com trabalhadores na inatividade”.

De acordo com o sindicalista, tal acontece “com 300 trabalhadores” da Soares da Costa que estão “há mais de um ano em casa sem trabalhar”.

“Por mês, a empresa está a ter um custo de mais de 250 mil euros com trabalhadores na inatividade. Por um lado é de louvar: pagar aos trabalhares que estão em casa sem trabalhar. Mas ninguém quer estar parado. As empresas só têm vida se produzirem”, vincou Albano Ribeiro.

Lembrando que a empresa conta com 97 anos de atividade e “já teve sete mil funcionários e já foi a maior construtora”, o sindicalista defendeu que “não interessa a ninguém que os trabalhadores estejam parados”.

Albano Ribeiro notou que a obra da Ribeira “já teve 60 trabalhadores”, mas atualmente conta com “cerca de 30 porque os outros foram para a inatividade”.

Os que restam “não aceitam trabalhar sem receber os seus salários”, disse. “A empresa deve uma explicação. Tem aqui trabalhadores que trabalham há muitas décadas e merecem saber o que está a acontecer, até porque já perguntámos se estão previstas obras a curto ou médio prazo e a empresa disse que sim”, notou Albano Ribeiro.

“Nunca aconteceu” uma situação semelhante

Franquelim Teixeira tem 55 anos e é funcionário da Soares da Costa “há 30 anos” e diz que “nunca aconteceu” uma situação semelhante na empresa.

Foi transferido para a empreitada da Ribeira do Porto “há quatro meses” e aflige-se por não saber qual será o futuro dos trabalhadores “quando acabar” aquela obra. “Estamos aqui parados à espera que nos paguem o salário de julho e subsídio de férias. Paramos porque andam sempre a dizer que nos pagam. Só retomamos quando nos pagarem”, afirmou.

“Há pessoal que não tem dinheiro para o passe. É uma situação desagradável”, acrescentou. Paulo Oliveira trabalha para a Soares da Costa há 25 anos e nunca pensou “que a empresa chegasse a este ponto”.

“Tenho uma casa para pagar, tenho sempre as prestações em atraso e os juros ninguém mos paga. Está a ser mesmo insustentável”, desabafou.

Para o funcionário, de 50 anos, a situação “não era de esperar”. “A administração devia chamar-nos para sabermos o que se está a passar”, defendeu. “Vamos parar, dentro da obra, até nos darem uma explicação quando chegam os ordenados”, assegurou Paulo Oliveira.

Várias dezenas de trabalhadores da empresa Soares da Costa concentraram-se por diversas vezes ao longo das últimas semanas em protesto contra os salários em atraso.

No dia 30, a Comissão de Trabalhadores anunciou ter sido informada pela administração de não haver "ainda previsão” de pagamento dos salários de julho, mas esperava liquidar em breve os ordenados em atraso dos trabalhadores em Angola.

Contactada pela Lusa, a administração da Soares da Costa disse não ter, neste momento, “qualquer comentário” a fazer sobre o assunto.