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O que aumentou, diminuiu, melhorou e piorou: uma comparação entre emprego e desemprego

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Marcos Borga

Por um lado, o Governo vê a descida do desemprego para uma taxa de 11,9% como um momento “histórico”, recuando a níveis anteriores à crise. Por outro lado, a oposição lembra os 313 mil empregos destruídos nos últimos quatro anos. O Expresso recuou até ao primeiro momento em que a taxa de desemprego esteve mais próxima da atual e comparou os números – desde a população ativa, empregada e desempregada, às idades dos trabalhadores e duração do desemprego. Notas rápidas: o desemprego de longa duração está mais alto, entre os homens está semelhante, na faixa etária 15-24 está mais alto e a grande diferença está nas mulheres e na faixa etária 25-34. E há menos emprego e menos população ativa na economia

É preciso recuar ao último trimestre de 2010 para encontrarmos uma taxa de desemprego mais baixa (11,1%) que os 11,9% estimados para o segundo trimestre deste ano, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Só que à volta da taxa de desemprego há outros números que retratam o mercado de trabalho e que completam o panorama. Um deles é o número de postos de trabalho – e ainda que o número de desempregados seja agora mais baixo, o número pessoas com emprego também é.

Para comparar diretamente este trimestre com outro que tenha uma taxa de desemprego próxima – garantindo que ambos pertencem à mesma série de dados do INE e que foram obtidos seguindo uma mesma metodologia – é preciso chegar ao primeiro trimestre de 2011. Nessa altura, a taxa de desemprego era de 12,4% (0,5 pontos percentuais acima do que é agora) – mais próxima do que os 11,1% do último trimestre de 2010. E foi neste primeiro trimestre de 2011 que o INE iniciou uma nova série de dados do desemprego, pelo que não é correto fazer uma comparação direta com um período anterior.

A mudança em causa, segundo o INE, foi no modo de recolha da informação junto dos inquiridos e no questionário utilizado. Uma das alterações diz respeito à classificação dos indivíduos empregados. “Os indivíduos a frequentar planos ocupacionais de emprego promovidos pelo IEFP não eram necessariamente considerados empregados no questionário anterior, mas são-no no questionário atual”, lê-se na nota explicativa.

Segundo informação do INE dada ao Expresso, esta alteração “decorreu de diretrizes de operacionalização de conceitos, por parte do Eurostat, não implicando qualquer alteração no conceito de emprego”. O Instituto nota ainda que a quebra de série se deveu “à introdução do novo modo de recolha e de um questionário novo” e não a esta alteração.

Comparando o panorama do primeiro trimestre de 2011 – anterior ao início desta legislatura – e o segundo trimestre de 2015, vê-se em primeiro lugar que há agora menos 53 mil desempregados. Desse total, 40% são homens e 60% são mulheres.

É relevante notar que apesar de se registar uma taxa mais baixa agora do que em 2011, o desemprego nos homens é praticamente idêntico (12% em 2015; 11,9% em 2011). Já nos jovens com idades entre os 15 e os 24 anos a taxa é agora mais alta (29,8%) do que era então (28%). E o desemprego de longa duração está também hoje (7,6%) mais acima do que no início de 2011 (6,5%). A descida fica no desemprego das mulheres, que passou de 12,8% para 11,8%.

A maior descida no número de desempregados, em termos absolutos, surge nos jovens, sobretudo entre os 25 anos e os 34 (menos 45,4 mil desempregados). Pelo contrário, aumentou o número de desempregados com mais de 45 anos (mais 28,8 mil).

As estatísticas também mostram que, por um lado, diminuiu o número de pessoas desempregadas há menos de 11 meses, mas, por outro, aumentou a quantidade de pessoas que está sem trabalho há pelo menos um ano (mais 40,6 mil). E se no primeiro trimestre de 2011 53% dos desempregados procuravam emprego há um ano ou mais, agora a proporção é mais alta – é esse o caso de 64% dos desempregados.

Menos emprego e menos população ativa

Uma das grandes diferenças de hoje em relação ao início de 2011 é a população empregada, que passou de 4,77 milhões para 4,58 milhões no segundo trimestre deste ano. Ou seja, hoje há menos 194 mil empregos do que havia quando a taxa de desemprego era semelhante, ainda que ligeiramente superior ao que é hoje.

Atualmente há também menos população jovem com emprego. Entre os 25 e os 34 anos, são menos 160 mil; e menos 68 mil entre os 15 e os 24 anos. O aumento sente-se apenas nos trabalhadores com idades entre os 45 e os 64 anos, já que para cima dos 65 anos também há menos emprego do que há quatro anos.

Pelo meio, diminuiu a população ativa e aumentou a população inativa. Se compararmos diretamente os números, há menos 247 mil pessoas ativas. No caso da população ativa, fica claro que a maior quebra está no escalão entre os 25 e os 34 anos (menos 205 mil pessoas). Pelo contrário, há mais população ativa com idades entre os 45 e os 64 anos (mais 93 mil).

Já a população inativa aumentou, destacando-se o número de homens (76% do total). Em termos de idades, o grande aumento está entre as pessoas com mais de 65 anos, enquanto entre os 25 e os 64 anos houve uma diminuição.

As estatísticas do INE mostram que a taxa de inatividade é superior agora: 41,4%, acima de 38,5% em 2011. E refletem ainda que a taxa de emprego – ou seja, a percentagem de pessoas com mais de 15 anos que está empregada – é agora mais baixa (51,7%) do que era em 2011 (53,9%).