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Bolsas. Atenas continua a afundar-se e Xangai volta ao vermelho

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Apesar do otimismo do governo grego e do presidente da Comissão Europeia, o índice geral da bolsa de Atenas entra no terceiro dia consecutivo de quedas. A Bolsa de Xangai regressou a terreno negativo e o FMI avisa que pode não incluir este ano a moeda chinesa no cabaz de divisas que suporta a sua unidade de conta

Jorge Nascimento Rodrigues

Atenas e Xangai estão no vermelho esta quarta-feira. Os analistas estarão, depois, atentos à abertura no continente sul-americano, com os olhos na Bolsa de São Paulo para aferir se o "triângulo vermelho" bolsista China-Grécia-Brasil se consolida.

A Bolsa de Atenas continua a afundar-se pelo terceiro dia consecutivo depois de reabrir na segunda-feira após cinco semanas fechada em virtude das medidas de 'corralito' na Grécia impostas a partir de 29 de junho.

Os bancos gregos estão, de novo, a marcar as quedas. Pelas 10h30, o índice geral da bolsa ateniense perdia esta quarta-feira 3,6%, depois de cair 1,22% e 16,23% nos dois dias anteriores. Os bancos do Pireu e Alpha estavam com quedas próximas do limite diário de 30%; o Eurobank perdiu mais de 25%; o Attica caia um pouco mais de 19% e o Nacional 15%.

As bolsas da zona euro abriram em terreno positivo, incluindo a Bolsa de Lisboa.

No outro lado do mundo, a Bolsa de Xangai regressou ao vermelho. O índice composto de Xangai fechou a perder 1,62%, depois de na terça-feira ter ganho 3,69%. Este índice perdeu mais de 12% nas últimas sete sessões em julho e fechou o mês com uma quebra mensal de 14,34%, a pior performance desde há seis anos. O índice CSI 300, que abrange as duas bolsas (Xangai e Shenzhen), fechou a perder esta quarta-feira 2,04%. Depois de ter subido 51,51% desde o início do ano até ao pico a 8 de junho, caiu a pique quase 32% até 8 de julho.

A Bolsa de São Paulo esteve em foco em julho, com o indice Bovespa a perder mensalmente 4,17%. Nas duas primeiras sessões de agosto, o Bovespa caiu 1,43% e 0,16%.

Nos últimos três meses, os índices MSCI para a China, Brasil e Rússia registaram as piores performances à escala mundial.

Pessimismo bolsista, otimismo nas negociações

O colapso na Bolsa de Atenas contrasta com o otimismo em Bruxelas e nas negociações na capital helénica para a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para o terceiro resgate à Grécia.

Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia (CE), e Euclid Tsakalotos, o ministro das Finanças grego, manifestaram-se no sentido de ser possível um MoU ainda em agosto. O governo de Atenas pretende que o processo esteja concluído até 18 de agosto e Juncker disse esta quarta-feira à Agence France Presse que deseja concluir o acordo "preferencialmente antes de 20 de agosto", data em que o Tesouro grego terá de amortizar mais 3,2 mil milhões de euros em obrigações detidas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais do Eurosistema.

O chefe da bancada parlamentar do Syriza afirmou que o governo não pretende um segundo empréstimo intercalar (como o concedido em julho), mas avançar com o MoU para poder receber um primeiro pacote financeiro do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) de cerca de 25 mil milhões de euros com vista a uma primeira fase de recapitalização dos bancos (envolvendo 10 mil milhões) e à garantia de pagamento da dívida externa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao BCE nos próximos meses.

Klaus Regling, o responsável pelo MEE, afirmou em julho que o pacote global por parte deste mecanismo europeu poderá chegar a 50 mil milhões de euros. O montante restante para a previsão de um terceiro resgate total de 86 mil milhões de euros, até final de 2018, deverá ser assegurado nomeadamente pelo FMI, numa segunda fase de negociações, e pela obtenção de receitas nas privatizações e em saldos primários orçamentais.

Atenas está em negociações com um quarteto de credores oficiais - CE, BCE, MEE e FMI - apesar de o FMI só passar a se envolver financeiramente numa segunda fase após a realização do primeiro exame ao andamento do terceiro resgate em novembro e quando estiver garantido que os credores oficiais europeus concordarão num alívio da dívida grega (em moldes a definir).

FMI adia entrada da moeda chinesa

Um relatório dos técnicos do FMI divulgado na terça-feira sugeria que a direção executiva da organização liderada por Christine Lagarde adiasse a inclusão da moeda chinesa no cabaz de divisas que suporta a unidade de conta do Fundo, designada por Direitos de Saque Especial (SDR, no acrónimo em inglês).

Os analistas previam a inclusão do yuan nesse cabaz ainda este ano, mas o relatório agora publicado aponta para que uma tal decisão só seja tomada em setembro de 2016.

Os analistas têm separado a decisão do FMI sobre o yuan, que tem uma importância geopolítica relevante para Pequim, do esvaziar da bolha nas bolsas chinesas e do abrandamento da economia chinesa que o Fundo prevê que cresça abaixo de 7% já em 2015.