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Vasco de Mello. “Vamos investir 650 milhões de euros em 5 anos”

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Vasco de Mello 
reconhece que o grupo 
teve uma fase muito complicada em 2011 mas diz que as medidas adotadas desde então permitiram resolver o problema

Alberto Frias

Vasco de Mello, presidente do grupo José de Mello, faz o balanço do processo de restruturação do grupo e diz que vai continuar a reduzir o endividamento mas isso não vai limitar o crescimento

Depois de ter passado um período crítico, em 2011, devido ao elevado peso da dívida e à desvalorização das ações da Brisa, o grupo José de Mello reduziu as suas áreas de negócio. O presidente do grupo — e também da Brisa — faz o balanço deste processo de reestruturação. Vasco de Mello diz que vai continuar a reduzir o endividamento mas isso não vai limitar o crescimento do grupo.

Com a venda de parte dos vossos negócios — participações na Efacec, na Brisa e na EDP —, a reestruturação do grupo José de Mello está concluída?

O grupo é um gestor ativo de participações. Eu diria que estes processos nunca estão concluídos. É sempre útil relembrar que os ciclos das famílias e dos negócios são longos. O nosso grupo teve que se reinventar após a revolução de abril de 1974. Isso levou a que, tendo sido destruída a nossa base de capital, tivéssemos que iniciar um novo ciclo através de um endividamento elevado.

Esta última crise apanhou-nos ainda numa altura em que o endividamento era significativo e, apesar de termos negócios que eram vistos como defensivos, muito resilientes, sofremos os impactos de uma subida muito grande dos custos financeiros e da desvalorização dos ativos, o que provocou um desequilíbrio significativo. Cedo percebemos que o ciclo em que estávamos a entrar seria longo e iria provocar alterações estruturais. Reagimos e em 2010 vendemos a participação que a Brisa tinha no Brasil, na CCR.

Era um pouco uma joia da coroa, um negócio internacional com grande potencial, mas realizámos uma mais-valia importante, encaixámos cerca de 1300 milhões de euros. Um segundo passo foi a redução de custos e depois concretizámos uma operação muito importante, a oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Brisa que nos permitiu, com o fundo de investimento Arcus, ter o controlo da empresa. Foi uma operação que demonstrou a confiança que temos em Portugal, onde queremos continuar a investir.

Conseguimos ao longo destes últimos anos angariar investidores estrangeiros para apoiar o desenvolvimento dos nossos projetos, o que representou cerca de 1300 milhões de euros de investimento e nos ajudou a focalizar em três áreas em posições de liderança: infraestruturas, saúde e química.

Chegou a temer em algum momento que o grupo não resistisse face à dimensão da crise financeira internacional e aos impactos que teve em Portugal?

A crise foi muito profunda mas sempre considerámos que tínhamos ativos de excelente qualidade e, tomando as decisões adequadas, conseguiríamos continuar a desenvolver a nossa atividade. Foi muito importante concentrar-nos em menos negócios. A perspetiva que tínhamos era a de que, fruto das alterações estruturais que houve, o nível da nossa dívida não era sustentável.

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