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Tarifas elétricas já geram excedente

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Segundo a EDP, a dívida tarifária da eletricidade está controlada e já beneficiou de superávit no segundo trimestre

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A dívida tarifária do sistema elétrico português foi estancada no primeiro semestre deste ano. Depois de um crescimento contínuo até ao final de 2014, o sistema parou de gerar novos défices tarifários. Segundo a EDP, no segundo trimestre deste ano até houve um ligeiro excedente tarifário, de €10 milhões, que permitirá começar a diminuir o saldo acumulado de dívida, hoje nos €5,3 mil milhões.

António Mexia disse ao Expresso que “é a primeira vez há muito tempo que temos a criação de um excedente tarifário”, o que, na opinião do gestor, é uma boa notícia, porque é “a confirmação da sustentabilidade do sector”.

O CEO da EDP apontou ainda que “2015 deve ser um ano de estabilização do défice”, tal como havia sido perspetivado pelo Governo, que estima que em 2016 o stock da dívida tarifária da eletricidade comece a baixar, devido à geração de sucessivos excedentes anuais. Ou seja: a partir de agora as receitas do sistema elétrico nacional (resultantes das tarifas pagas pelos consumidores e da afetação de outras verbas, nomeadamente parte da contribuição extraordinária da energia) serão superiores aos custos anuais do sector. Esse saldo positivo será usado, ano a ano, para abater à dívida acumulada (os referidos €5,3 mil milhões de final de junho).

Sobre os resultados da EDP no primeiro semestre, Mexia faz um balanço positivo, considerando que o desempenho financeiro do grupo é “totalmente estável”. O lucro da EDP até junho foi de €587 milhões, menos 7% que em 2014. A queda é explicada pelo impacto negativo da valorização do dólar no resultado financeiro da EDP e também pela obrigação de pagar mais dividendos aos acionistas minoritários da EDP Brasil. A dívida líquida subiu 4%, para €17,7 mil milhões, em resultado do reforço da participação na central termoelétrica de Pecém, no Brasil, e da valorização do dólar face ao euro.