Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Pharol vai processar ex-administradores da PT

  • 333

José Carlos Carvalho

Em causa está o investimento da PT SGPS em dívida ruinosa do grupo Espírito Santo. “A lista dos ex-administradores a processar está em aberto”

A assembleia geral (AG) de acionistas da Pharol (ex-PT SGPS) terminou com a aprovação por larga maioria da proposta para processar os antigos gestores da empresa responsáveis pelo investimento de 897 milhões de euros em dívida da Rioforte, empresa do grupo Espírito Santo. A informação sobre o investimento ruinoso na Rioforte foi avançada em primeira mão pelo Expresso Diário.

Os acionistas da Pharol (43% do capital representado) estiveram reunidos esta sexta-feira de tarde em Lisboa, em assembleia geral de acionistas, para votar a proposta do conselho de administração de colocar uma ação de responsabilidade contra ex-administradores da empresa, devido a investimentos na Rioforte, empresa que entretanto faliu, provocando um buraco nas contas da empresa, e abrindo espaço para o fim da fusão com a Oi, A Pharol é maior acionista da operadora brasileira, e tem além desta participação, apenas, mais a dívida da Rioforte.

A brasileira Oi, que tem 10% da Pharol, absteve-se de votar na Assembleia Geral, por forma a cumprir o acordo assinado no ano passado, segundo o qual se comprometeu a não agir judicialmente contra os antigos administradores da PT. Um compromisso feito na altura em que foram revistos os termos do acordo da fusão.

Não foram identificados os antigos administradores da PT que vão ser alvo dos processos, sendo que a Pharol deverá avançar com uma ação conjunta e não com ações individuais. “A lista [dos ex-administradores a processar] está em aberto”, afirmou o presidente da Pharol, Luís Palha da Silva. “Esta assembleia geral não é um tribunal e é preciso respeitar a privacidade das pessoas”, disse para justificar o porquê de não avançar com os nomes.

Luís Palha da Silva: “Esta assembleia não é um tribunal”

Luís Palha da Silva: “Esta assembleia não é um tribunal”

José Carlos Carvalho

Os ex-administradores visados nesta decisão da assembleia geral da Pharol são os gestores considerados responsáveis pela aplicação na Rioforte entre 2012 e 2014. Os prováveis alvos desta ação serão Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Melo, Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes.

A CatreCasas será o advogado da Pharol neste caso. Luís Palha da Silva não se comprometeu como prazos para avançar com o processo judicial, mas afirmou: "não estamos com vontade de demorar".

Os outros processos: BES, Novo Banco, BESI

Ainda a propósito do caso GES, e tal como o Expresso noticiou esta sexta-feira, o conselho de administração da PT SGPS aprovou formalmente em fevereiro deste ano processar o BES, o Novo Banco e o BESI, mas a decisão nunca foi aplicada.

Em fevereiro, a administração dividiu-se sobre se deveria ou não processar o Novo Banco. Administradores como Paulo Varela, Helena Nazaré ou Gerald McGowan defenderam estes processos, que acabaram por ser aprovados. A oposição foi liderada pelos administradores da Ongoing Rafael Mora e Nuno Vasconcellos, que votaram contra invocando as custas do processo, que poderiam chegar a 15 milhões de euros. Apesar dos votos contra, o processo judicial foi aprovado. Mas nunca implementado até aqui - em março, numa nova reunião do conselho de administração da PT SGPS, a decisão foi revertida.

O Novo Banco tem vindo a ser sucessivamente processado por detentores de papel comercial do Grupo Espírito Santo, que com o colapso do ano passado nunca foi reembolsado.

A firma de advogados que a assessorou a Pharol na análise de um eventual processo contra o BES e o Novo Banco foi a Cuatrecasas. O escritório de advogados terá considerado, depois de sair o resultado da auditoria da PriceWaterhouseCoopers (PwC), que não faria sentido avançar com processos porque a PT poderia perdê-los se a defesa alegasse “o consentimento do lesado”. Segundo a PwC, a PT não fez análise de risco do investimento em papel comercial do GES, nem pediu o balanço.

Luís Palha da Silva hoje, no final da Assembleia Geral da Pharol, não afastou a possibilidade de no futuro vir a avançar com processos contra o BES e o Novo Banco se forem encontrados motivos que o justifiquem. "É uma questão que estará sempre em aberto", disse. E frisou que os responsáveis por atos lesivos para a empresa poderão ser sempre processados. O Novo Banco é o maior acionista da Pharol, com 12,6% do capital.