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Julho negro na Bolsa de Xangai

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O analista Tom DeMark, citado pela Bloomberg, prevê que o índice da Bolsa de Xangai tenha uma descida de mais 14% nas próximas três semanas

Aly Song / Reuters

O índice composto caiu mais de 14% registando uma segunda-feira negra a 27 de julho quando quebrou quase 8,5%, a maior perda diária de capitalização desde há 15 anos

A Bolsa de Xangai encerrou esta sexta-feira no vermelho. O índice composto caiu 1,13%. O mês de julho revela-se com o mais negro desde agosto de 2009. A capitalização bolsista reduziu-se em 14,3%. Em 23 sessões, mais de metade fecharam no negativo. O pior dia foi a segunda-feira negra de 27 de julho quando aquele índice quebrou 8,48%, a segunda maior descida desde 2000.

No conjunto dos 93 índices bolsistas da Bloomberg, o de Xangai registou a maior descida.

O pico da Bolsa de Xangai registou-se em outubro de 2007. Desde essa altura, o índice composto caiu 38,5%. Contudo, desde junho do ano passado assistiu-se a uma mini-bolha bolsista com um pico a 12 de junho deste ano. A quebra subsequente até ao final de julho somou 29%.

Em contraste, a Bolsa de Tóquio fechou o mês em terreno positivo com o índice Nikkei 225 a ganhar 0,3%. Depois de quatro sessões no vermelho, o índice entrou em terreno positivo na quinta e na sexta-feira. Em termos mensais, o Nikkei 225 subiu 1,7%.

Pânico não abranda
Apesar do impacto psicológico internacional do crash na Bolsa de Xangai a 27 de julho e da queda abrupta nos últimos cinco minutos a 30 de julho, é preciso referir que o efeito negativo direto na economia chinesa é limitado. “A China não tem uma cultura bolsista. As ações representam, apenas, 12% dos ativos das famílias chinesas. O financiamento através do mercado de ações representa 5% do total das empresas não financeiras na China”, refere o analista norte-americano Marc Chandler.

No entanto, sublinha Chandler, “a função do mercado de capitais na China é diferente da que se verifica nos EUA ou mesmo na Europa e no Japão”. “O papel na China é juntar e reciclar as poupanças das famílias em direção às grandes empresas estatais cotadas. Os investidores institucionais – como fundos mutualistas, fundos de pensões, companhias de seguros, agentes do mercado e investidores estrangeiros – representam, apenas, 10% na China. As entidades públicas chinesas dominam o mercado de ações chinês, em cerca de 85%”, explica o analista.

Uma espécie de QE
O crash de 27 de julho e o pior desempenho mensal do índice desde 2009 revelam que a intervenção “anti-pânico” do governo de Pequim em julho não está a convencer os investidores.

Segundo a Reuters, a intervenção governamental nos mercados desde meados do mês por parte do Banco Popular da China (banco central) e de uma agência que ganhou agora a ribalta, a China Securities Finance Corp, deve ter somado 5 biliões de yuan (o equivalente a mais de 730 mil milhões de euros), mais do que a injeção realizada por Pequim em resposta à crise financeira de 2008. Alguns analistas já designam esta operação no mercado bolsista como uma espécie de "QE [quantitative easing] com as cores chinesas".

As autoridades chinesas de regulação dos mercados de capitais acusaram operações de venda a descoberto "maliciosas" como as responsáveis pela atual crise bolsista.

"A grande questão é saber se esta recente volatilidade [bolsista] terá impacto noutros mercados de ativos e na economia real", afirma a professora Linda Yueh, da Universidade de Oxford, num artigo publicado esta sexta-feira no jornal "South China Morning Post". Por ora, ainda, não teve, conclui a economista.

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