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Caixa voltou ao lucro e não comenta “preocupação” de Passos Coelho

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Banco assegura que a sua liquidez “é confortável” e não se pronuncia sobre a preocupação do primeiro-ministro com a ausência da devolução da ajuda pública

O banco público apresentou um lucro consolidado de 47,1 milhões de euros em junho de 2015, uma melhoria de 216,4 milhões de euros face ao período homólogo de 2014, em que resultado foi positivo, mas apenas graças à mais-valia resultante da venda da seguradora Fidelidade, caso contrário teria sido negativo em 169,3 milhões euros. Há duas formas de ler os resultados: subiram se se comparar sem a receita extraordinária da Fidelidade e caíram 57,2% se se mantiver nas contas a venda da seguradora.

A CGD é o único banco que ainda não devolveu qualquer dinheiro ao Estado da ajuda pública, confrontado com isso ontem pelo Jornal de Negócios, o primeiro-ministro admitiu que isso o preocupava. "Causa (preocupação), causa sim, porque era suposto que a CGD tivesse podido já obter resultados que permitissem fazer uma parte do reembolso.(...) Preocupa-me e espero que a administração da Caixa não deixe de executar as operações que forem necessárias e que permitirão fazer o reembolso desse valor que foi investido na capitalização", disse Passos Coelho.

A gestão da Caixa, liderada por José de Matos, recusa-se responder. Mas o Expresso sabe que terá ficado algo surpreendida uma vez que discute o assunto regularmente com a tutela e a Direção da Concorrência Europeia. Além disso, o reembolso antecipado das ajudas estatais feito pelos restantes bancos foi antecidido de um aumento de capital, e neste momento, aparentemente não está prevista qualquer operação de reforço de capital do banco público.

O banco diz, aliás, hoje no comunicado de apresentação dos resultados do primeiro semestre que a Caixa "tem uma sólida estrutura de financiamento com base no retalho", com um peso dos recursos de 77%, dos quais 2/3 são depósitos a prazo e/ou poupança. E sublinha: "não há necessidade de capital. A situação é razoável em termos de capital". O indicador de liquidez LCR (liquidity coverage ratio) atingiu no final de junho 135,9%, valor significativamente acima do requisito mínimo de 60% exigido a partir de outubro de 2015 e dos 100% de requisito para 2018, lê-se na informação disponibilizada pelo banco. Porém, os rácios de solvabilidade recuaram ligeiramente: o Tier1 passou de 11,1% para 10,8% e o Commom Equity Tier 1 caiu de 10,2% para 9,6%.

Atividade internacional puxa pelo lucro

A CGD revela ainda que margem financeira cresceu 14,3% para 582,1 milhões de euros no primeiro semestre face ao período homólogo e os resultados em operações financeiras cresceram 81,7% para 302 milhões de euros. O produto da atividade bancária está numa rota positiva, aumentou 25,8% para 1154,2 milhões de euros e o montante de provisões e imparidades recuou 99,2 milhões de euros para 321,7 milhões de euros.

A atividade do banco em Portugal melhorou nos primeiros seis meses do ano, aumentando o contributo para o lucro em 2 milhões de euros, mas foi a atividade internacional, com destaque para o BNU Macau, quem mais melhorou. O resultado líquido da atividade internacional cresceu de 5,5 milhões em junho de 2014 para 44,7 milhões de euros um ano depois. Em Angola foram abertos mais 6 balcões e contratadas 30 pessoas. E em Moçambique a expansão foi acelerada: mais 30 balcões e mais 490 pessoas contratadas. O contributo da atividade internacional para o resultado bruto de exploração do grupo foi de 230 milhões de euros (+29,2%).

Os recursos de clientes aumentarm 4,6% face ao período homólogo, com a carteira de crédito a clientesa recuar 1,205 mil milhões de euros, menos 1,7%. Já os depósitos de clientes aumentaram 4,6% para 69,818 mil milhões de euros. O crédito à habitação (novas operações) cresceu 58,5% para 380,5 milhões de euros.