Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Opway propõe pagar dívidas aos credores em dez anos

  • 333

Direitos Reservados

Construtora presidida por Almerindo Marques procura uma nova oportunidade: plano de recuperação implica vender ativos, ter mais obras fora de Portugal e só começar a pagar à banca em 2018

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Opway Engenharia, a braços com um passivo global de 326 milhões de euros, já finalizou o seu plano de recuperação, propondo agora aos seus credores uma estratégia de revitalização da empresa que passa pelo pagamento das dívidas aos credores num prazo de dez anos e por uma estratégia de crescimento ainda mais assente na internacionalização.

Controlada agora pela equipa de gestão liderada por Almerindo Marques, a Opway Engenharia esteve durante vários anos nas mãos do Grupo Espírito Santo (GES), que através da Espírito Santo International controlava a totalidade do capital da Opway SGPS. Em julho de 2014, a Opway Engenharia interrompeu o plano de reestruturação que tinha em curso devido à “crise profunda” do GES, como a própria empresa explica.

Com o avanço do Processo Especial de Revitalização (PER), a história da Opway Engenharia passou a ficar nas mãos da Justiça e dependente da vontade dos credores de dar ou não uma nova oportunidade à construtora. É isso que sucederá agora: o plano de recuperação que a empresa acaba de apresentar no Tribunal da Comarca de Lisboa (o documento data de 27 de julho) será submetido até 12 de agosto à votação dos credores.

Mas durante a preparação do documento os credores já participaram na definição das soluções que agora estão em cima da mesa, o que deixa boas perspetivas de que a estratégia trabalhada por Almerindo Marques possa ter “luz verde”.

Ao nível da dívida financeira, a Opway Engenharia tinha 142,3 milhões de euros por pagar à banca no final de 2014, já incluindo dívida das participadas Promorail e Sarrion. A maior fatia desta dívida bancária, no valor de quase 95 milhões de euros, era para com a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O plano proposto pela Opway prevê agora uma carência de capital em relação à dívida bancária até ao final de 2017. Só a partir de 2018 é que a construtora deverá começar a amortizar a dívida aos bancos. Entre 2018 e 2024, a Opway deverá pagar 55% da dívida bancária e os restantes 45% serão pagos depois de uma só vez ou em condições a acordar com cada instituição financeira.

Quanto aos credores não financeiros, a Opway propõe pagar as dívidas em dez anos (40 prestações trimestrais), sendo que a primeira prestação só será paga nove meses após o trânsito em julgado da sentença de homologação do plano. A proposta prevê ainda o perdão de juros vencidos e vincendos e o não pagamento de indemnizações ou outras penalidades aos credores.

A Opway também prevê um processo de venda de ativos não estratégicos, cujo desempenho poderá até resultar num pagamento antecipado de parte da dívida financeira. A construtora estima, de acordo com as suas avaliações, que poderá encaixar 30,4 milhões de euros com as alienações (um estaleiro e um terreno em Moçambique, uma participação financeira na HL Manutenção e a posição de 67,4% na construtora Sarrion).

Lucro a partir de 2017

Os pressupostos assumidos pela Opway apontam para que a empresa ainda sofra prejuízos da ordem dos 3,3 milhões de euros em 2016, mas a partir de 2017 a companhia deverá ter sucessivos resultados líquidos positivos (que vão de 2,2 milhões de euros em 2017 a quase 15 milhões em 2023).

A trajetória traçada pela Opway tem em conta uma previsão de recuperação das receitas do grupo. A Opway Engenharia faturou 327 milhões de euros em 2012, mas as vendas em 2013 contraíram para 190 milhões e em 2014 voltaram a cair para 113 milhões de euros (no ano passado, a empresa deu um prejuízo de 5,3 milhões de euros).

A Opway deverá estar nos próximos anos concentrada na internacionalização, de onde deverá vir mais de 80% das receitas. Em Portugal, as oportunidades deverão estar concentradas no potencial do PETI - Plano Estratégico de Transportes e Infraestrutura. Lá fora, diz a Opway, o grupo irá focar-se “em geografias onde as margens de construção são maiores”.

A empresa exclui desde já a possibilidade de crescer por via de aquisições, mas admite a curto prazo entrar num mercado de elevado potencial na África Ocidental. A construção e a ferrovia continuarão a ser as atividades centrais da operação da Opway, prevê a gestão liderada por Almerindo Marques.

Para já, a Opway conta com uma carteira de obras de 274 milhões de euros, que permite sustentar o ano 2015 e parte de 2016. A construtora espera elevar as suas vendas para 468 milhões de euros em 2014. A meio caminho, em 2019, a Opway deverá estar a faturar na área da construção 330 milhões.