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Trambolhão na Bolsa de Xangai

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THOMAS PETER / Reuters

O índice composto da principal bolsa chinesa caiu esta segunda-feira 8,48%, a segunda maior queda diária desde 2000. A 26 de junho passado fechara com uma queda de 7,4%

A Bolsa de Xangai, a mais importante da China e uma das mais importantes da Ásia, afundou-se esta segunda-feira. O índice compósito registou uma queda de 8,48%, segundo dados da Bloomberg.

É a segunda maior queda deste ano, depois da quebra de 7,4% a 26 de junho.

Um mês depois, a bolsa chinesa volta a registar uma queda que é a segunda maior desde 2000, como sublinha o analista Peter Wells. A maior queda diária verificou-se a 27 de fevereiro de 2007, registando 8,84%. Em 4 de junho de 2008, registou-se a terceira maior queda diária áte à data, de 8,26%.

O índice Nikkei 225 da Bolsa de Tóquio fechou com uma queda de 0,95%, enquanto a maré vermelha chinesa alastrou a Hong Kong, com o índice Hang Seng a fechar com uma quebra de 3,02%.

Mercado financeiro desafia Pequim
A derrocada na bolsa de Xangai regista-se desde 12 de junho, o momento do pico da vaga especulativa desde 2010. O índice composto caiu 27,8% desde essa data até ao fecho de hoje, o equivalente a uma quebra de cerca de 2,7 biliões de euros de capitalização (grosso modo o PIB do Reino Unido).

O Banco Central da China, através de uma entidade autónoma, injetou, em resposta à quebra de final de junho, mais de 1 bilião de yuan (cerca de 145 mil milhões de euros, 83% do PIB português) em fundos para a aquisição de ações nas bolsas chinesas, na expetativa que a derrocada terminasse. O que não aconteceu.

Este tipo de intervenção foi defendido recentemente num editorial do “Diário do Povo”, o órgão oficial do Partido Comunista da China. A 23 de julho, referia-se que o governo de Pequim está determinada a intervir no mercado financeiro sempre que necessário. “Quando a volatilidade anormal e as irregularidades surgem, temos de agir resolutamente e tomar medidas quando necessário, sem hesitação”, escrevia-se no diário, que acrescentava: “Uma estabilidade financeira genuína deve ser uma estabilidade proactiva de longo prazo e sustentável – e não passiva, de curto prazo e insustentável”.

A crise grega, a derrocada bolsista na China, a crise no Brasil e o provável início, ainda este ano, do aumento das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana estão em destaque nas preocupações do Fundo Monetário Internacional segundo o mais recente “survey” divulgado na semana passada.