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“Nos próximos 50 anos não é necessário um novo aeroporto”

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“Com probabilidade elevada, o meu serviço público nesta fase da minha vida terminará”, afirma Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Infraestruturas, 
Transportes e Comunicações

Alberto Frias

Entrevista a Sérgio Monteiro, secretário de estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações

Tutela uma Secretaria quase do tamanho de um ministério e tem uma autonomia que alguns consideram excessiva nas funções políticas que exerce. Não tinha experiência política e acabou por resistir a dois ministros da Economia. “Os espaços que uns não ocupam, outros acabam por ocupar”, responde.

Em fim de mandato, Sérgio Monteiro faz um balanço do trabalho feito no setor dos transportes, das infraestruturas e das comunicações. Pelo caminho, conduziu privatizações polémicas como a da TAP ou da ANA. Diz que sabia, desde o primeiro dia, que o seu mandato não era para fazer obra, mas sim para pagar a obra dos outros. Não se compromete a dizer nunca, mas para já afirma: “Com probabilidade elevada, o meu serviço público nesta fase da minha vida terminará”.


P: Fechou várias privatizações, como a da TAP que estava há anos para ser feita. Foi o seu maior triunfo?
R: É um triunfo do Governo muito visível. Mas houve outras privatizações que do ponto de vista estrutural são mais importantes. A primeira é a da ANA, porque acontece num momento (final de 2012) em que a discussão era se Portugal se mantinha ou não dentro na zona euro.

Os juros da dívida pública batiam recordes máximos e a reputação de Portugal estava difícil. Tínhamos acabado de sair de uma situação de resgate financeiro e havia uma ideia de desconfiança em relação a Portugal.

No entanto, conseguimos estruturar uma privatização que, do ponto de vista financeiro, é um sucesso (ganhou o prémio de melhor privatização do ano 2012), como também conseguimos pôr novamente os olhos dos investidores internacionais em Portugal.

O que é que a Vinci viu para pagar com base no EBITDA de 2011, pagando um múltiplo de 16 vezes o EBITDA (3 mil milhões de euros)? Esse é um múltiplo que nem sequer se usava no período pré-crise. Todos os investidores em infraestruturas e de dimensão internacional olham para Portugal de uma forma muito diferente a partir daí.


P: E qual foi a segunda privatização mais importante?
R: A dos CTT. Pelo sinal que deu ao mercado de capitais português. Tínhamos feito, alguns meses antes, o regresso ao mercado da dívida, mas faltava o regresso ao mercado do equity (capital das empresas), e aí o Estado tinha de voltar a dar um sinal.

Não conseguimos fazê-lo na ANA, porque o múltiplo que conseguiríamos era muito inferior do que na venda direta. Estudámos esse modelo, mas era impossível pois a perda financeira era demasiado grande.

Mas, no caso dos CTT, todos os interessados que se posicionaram deviam oferecer entre 350 milhões de euros e 600 milhões de euros e, no entanto, a privatização dos CTT rendeu mais de 900 milhões de euros e voltou a pôr Portugal nas primeiras páginas dos jornais por bons motivos. Aliás, foi mais uma privatização que teve um prémio internacional, o melhor IPO do ano 2013.

Leia mais na edição deste fim de semana.