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Os projetos de Portas que ficaram na gaveta

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A Jomar pertencera a João Marques Pinto e depois à família Costa Leste, antes de se mudar para o universo Finsa

Rui Duarte Silva

As destilarias da Aaditya foram canceladas e o investimento norueguês em Sines está reduzido a caixa postal

Em meados de junho de 2014, com a dose de pompa que a circunstância aconselhava, o vice-primeiro-ministro Paulo Portas anunciava no Palácio das Laranjeiras o maior pacote de investimentos desde a chegada da troika a Portugal. A economia começava a dar sinais de retoma, com sete projetos, entre expansões e fábricas de raiz. No total, mais €391 milhões injetados na indústria e a criação de 406 postos de trabalho diretos, com a virtude adicional de se concentrarem no interior do país.

Um ano depois, o balanço não é animador. A principal operação está ainda reduzida a uma caixa postal, em Sines, e a segunda maior foi anulada. Espremendo o que sobra, fica um investimento consolidado de €130 milhões em expansões e eficiência fabril e a criação de 160 empregos. E, no saldo do emprego, há ainda o caso da Luso Finsa que, apesar de ampliar em Nelas, estará a preparar o encerramento da base de Matosinhos.

A instalação de destilarias de álcool etílico em Idanha-a-Nova e Tomar por parte da Aaditya International já fervilhava na imprensa local muito antes do anúncio do contrato de financiamento. Com sede na zona industrial de Idanha, a empresa tencionava investir €32 milhões e criar 100 empregos.

Mas o contrato “não chegou a ser assinado e a candidatura foi anulada”, duas semanas depois do anúncio de Portas. Porquê? A Aaditya, responde o Ministério da Economia, “não conseguiu comprovar a condicionante relativa ao financiamento” e comunicou a desistência dos incentivos fiscais. Na Câmara Municipal, os lotes permanecem registados em nome de uma empresa de consultadoria.

O promotor luso-indiano Dilipcumar Dulobdas, tem outra visão e não dá o caso por perdido. “O financiamento do projeto em Idanha e Tomar não está concluído mas está na fase final de negociação. Oportunamente daremos notícias”, responde Dilipcumar Dulobdas ao Expresso.

A verdade é que a Aaditya International já não regista atividade comercial desde 2013. O estudo de viabilidade, realizado em 2011, apontava para receitas da unidade de Idanha de €18 milhões, com custos operacionais de €12 milhões. O projeto consta dos projetos em acompanhamento da lista PIN (potencial interesse nacional) do AICEP mas, ao contrário do que diz a publicidade de um banco, não é para avançar. Nem poderá contar com incentivos do lado do Estado.

Processo complexo

O caso da Atlantikfuror, um investimento norueguês em Sines, é diferente. Mas, a empresa, três anos depois da sua constituição, permanece reduzida a uma caixa postal no centro de escritórios da zona industrial de Sines. Neste caso, é a burocracia de Bruxelas que empata.

“O contrat+o foi assinado em 30 de junho, permanece válido mas ainda não está em vigor. A empresa aguarda o parecer positivo da Comissão Europeia”, esclarece o Ministério da Economia. Dos sete investimentos anunciados por Paulo Portas, o da Atlantikfuror (grupo Volstad Maritime) era o de maior dimensão: €226 milhões na instalação de uma base de operações de apoio à indústria petrolífera que levará à contratação de 150 pessoas. O Ministério da Economia nota que se trata de uma empresa nova a operar em Portugal e que o processo é complexo e pode sempre derrapar. Mas, todas as candidaturas são escrutinadas “periódica e escrupulosamente” e o promotor só tem direito aos incentivos se cumprir os compromissos que assume no contrato de investimento.

O projeto da Volstad Maritime tem o mérito suplementar de ser de raiz, num momento em que o investimento externo é escasso. Como nota Pedro Ferraz da Costa, presidente do Fórum da Competitividade, o país “falha na atração de novo investimento, mas as companhias estrangeiras, como a Bosch, Siemens ou Volkswagen, já instaladas, não se inibem de investir por já estarem habituadas aos nossos princípios e rotinas”.