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Hernâni, o homem da comissão de €69 milhões

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O empresário procedeu a uma recuperação primorosa da quinta da Eira, contígua à dos pais, que utiliza para receber amigos e fazer patuscadas

Lucília Monteiro

Empresário bracarense saltou para a ribalta com o negócio da PT/Altice

Um fura-vidas que fez as amizades certas, eis o retrato instantâneo de Hernâni Vaz Antunes, 52 anos, o agente bracarense que se especializou em fazer empresas à la minute e acumulou uma pequena fortuna pela via da intermediação imobiliária, antes de o negócio da PT/Altice o tornar famoso. A providência cautelar contra a Oi para receber €69 milhões pela alegada intermediação da venda da PT Portugal aos brasileiros concedeu-lhe uma exuberante notoriedade. Quem negociou com ele recorda cheques sem cobertura que rapidamente substituía e artifícios de quem caminhava no fio da navalha sem nunca perder o equilíbrio.

Ao emigrar para o Canadá, antes de completar 18 anos, Hernâni fugia à fatalidade do trabalho agrícola na exploração dos pais e ganhava mundo e experiência num ramo de negócio incipiente em Portugal — as máquinas de diversão e videojogos. Quando regressa, 15 anos depois, torna-se empresário pelo lado das máquinas flippers e afins. Acumula a comercialização dos equipamentos com a exploração de uma vasta rede que instalou em cafés na zona de Braga. O negócio gerou liquidez e contactos preciosos. E nem o percalço de um incêndio noturno (1999), que forçou a transferência de instalações, arrefeceu o seu espírito empreendedor. Fala-se que a indemnização da seguradora terá sido de 70 mil contos (€350 mil). O negócio das máquinas aguentou-se mais uns anos, migrando depois para uma loja na desfavorecida zona das Enguardas (conhecida como o Bronx de Braga), que acolhe agora a sede das duas imobiliárias ativas — uma delas, a Plusvag, tem uma ação de insolvência, apresentada pelo Banif, de €3,9 milhões, depois de ter registado perdas de €15 milhões em 2014. Um ex-funcionário da época dos videojogos lembra Hernâni como “uma pessoa cinco estrelas, um patrão cumpridor”.

No dealbar do século, o imobiliário fervilhava, Braga era o paraíso dos especuladores alinhados com o regime local. Hernâni ocupou sempre um lugar secundário na cena local, mas teve o talento para aceder ao círculo próximo do ex-autarca Mesquita Machado. Na cidade conta-se que, num dos seus desabafos, se terá gabado de pagar regularmente jantares de €3500 no Expositor (um dos restaurantes requintados de Braga) ao séquito de Mesquita. E diz-se que tem negócios comuns com Pedro Machado, genro de Mesquita, diretor executivo da Braval (uma parceria público-privada na área do ambiente). Contactado pelo Expresso, Pedro Machado não esclareceu.

Leia mais na edição deste fim de semana.

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