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Terminou interrogatório a Salgado. Medidas de coação anunciadas mais tarde

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Ricardo Salgado durante a comissão de inquérito ao caso BES

Luís Barra

Ex-presidente do banco BES já é arguido desde segunda-feira e o Ministério Público quer uma medida de coação mais grave. Salgado e mais cinco arguidos são suspeitos da prática de sete crimes. Foi interrogado esta sexta-feira pelo juiz Carlos Alexandre

A Procuradoria-geral da República explica em comunicado que Ricardo Salgado foi "interrogado e constituído arguido pelo Ministério Público (MP), no âmbito das investigações relacionadas com o denominado ‘Universo Espírito Santo’”, no dia “20 de julho”, ou seja, na segunda-feira. Ricardo Salgado voltou ao tribunal esta sexta-feira, precisamente um ano depois de ter sido detido no âmbito do caso Monte Branco, para ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre. O interrogatório terminou já depois das 21h e, por enquanto, só se sabe que as medidas de coação serão anunciadas "mais tarde".

O Ministério Público, de acordo com a nota da Procuradoria, pretende “a aplicação de medida de coação diversa do termo de identidade e residência”, motivo pelo qual apresentou um requerimento para que Salgado fosse presente ao Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, esta sexta-feira. Ouvido por Carlos Alexandre, o interrogatório prolongou-se até ao final da noite (tinha começado pelas 9h30).

A Procuradoria refere que foram constituídos seis arguidos “no âmbito destas investigações”, nas quais “está em causa a suspeita da prática” de sete crimes: falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no setor privado e branqueamento de capitais.

Neste momento há “cinco inquéritos autónomos e 73 inquéritos, que se encontram apensos a um daqueles”, refere o comunicado. “Esses inquéritos apensos respeitam a queixas apresentadas por pessoas que se consideram lesadas pela atividade desenvolvida pelo BES e pelo GES.”

O MP tem cinco magistrados envolvidos nas investigações, havendo ainda uma “equipa multidisciplinar de seis magistrados de outras jurisdições, sendo que esta intervém apenas em questões específicas relacionados, designadamente, com o arresto de bens / recuperação de ativos, questões cíveis e de insolvência”. O MP é coadjuvado pela Polícia Judiciária e pelo Fisco.

Há um ano, Ricardo Salgado foi detido no âmbito do processo Monte Branco. Saiu em liberdade depois de pagar caução de três milhões de euros.