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Farmácias deixaram de ser um bom negócio

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19% das farmácias portuguesas têm prejuízos. Estudo revela que o sector lucra menos de um 1% das vendas. São pedidas margens fixas

“É o período mais complicado que já vivemos desde que temos a farmácia, há 15 anos. Os stocks têm de ser os mais reduzidos possível para conseguirmos sustentar a farmácia e torna-se muito difícil dar resposta ao utente”, lamenta Inês Pereira, farmacêutica e filha da dona de uma farmácia no centro de Lisboa. A crise transformou uma ‘mina de ouro’ num ‘poço de lamentações’.

“Baixaram drasticamente o preço dos medicamentos e as nossas margens e temos dificuldade em adquirir certos medicamentos porque são rateados pelos laboratórios ou pelos armazenistas, que não colocam quantidades suficientes no mercado nacional”, explica a farmacêutica. E, quando assim é, só resta abrir os cordões à bolsa, no caso, abdicar de parte da remuneração. “Muitas vezes temos de recorrer às linhas SOS dos laboratórios para conseguir o medicamento em vez de o fazermos através do armazenista, obtendo um lucro maior.”

Somadas todas as parcelas, o negócio complicou-se. “Durante cerca de seis meses tivemos dificuldades em comprar os medicamentos, porque ou tínhamos dinheiro ou não nos forneciam. O que fazíamos ao balcão era o que tínhamos para pagar”, conta. Foi preciso reajustar quase tudo para manter a porta aberta. Por exemplo, os salários foram reduzidos, a renda negociada e os contratos alterados, mas pouco. “Antigamente era possível negociar prazos de pagamento mais alargados do que os atuais 30 dias”, exemplifica Inês Pereira.

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