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Roubos de cobre nas linhas de comboios já custaram quase €4 milhões

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António Cotrim/Lusa

Além do impacto financeiro, os furtos afetam a circulação, provocando atrasos - ainda esta semana isso sucedeu. Têm sido colocados localizadores nos cabos e nas bobinas para detectar os locais de recetação

Um novo roubo de cabos de sinalização ferroviária voltou a causar esta quarta-feira, 15 de julho, atrasos na circulação de comboios da CP. Desta feita, o furto ocorreu na linha de cintura interna que serve Alverca, a Gare do Oriente, Sintra e Marvila, aumentando os custos de reposição de fios de cobre que a Infraestruturas de Portugal (IP) suporta - somando-os aos 3,8 milhões de euros que a ex-Rede Ferroviária Nacional (Refer) desembolsou entre 2011 e 2014 para repor os cabos de cobre roubados nestes quatro anos.

Luísa Garcia, diretora de segurança da Intraestruturas de Portugal (onde está integrada a Refer), explica ao Expresso que "o furto de cobre é cíclico, concentrando-se nas alturas em que aumenta o valor de mercado deste metal". "Sabemos que há uma grande variedade de grupos responsáveis por estes furtos e, ao fim de muito trabalho de investigação criminal, também conseguimos identificar os recetadores, mas este problema continua a repetir-se, o que já levou as empresas lesadas a pensarem em recorrer a ligações feitas com metais alternativos, com menor valor de mercado, para atenuarem estes danos recorrentes", comenta.

"Este problema não é exclusivo de Portugal, afetando todos os países europeus, onde até há situações piores", explica a responsável da seguranda da IP. Na realidade, os países onde estes furtos atingem proporções alarmantes são Espanha e a Polónia. Em Portugal tem havidos várias fases, em que a mais grave ocorreu em 2011, quando o furto de fios de cobre ascendeu a um valor de 1,6 milhões de euros. Em 2012 os furtos diminuiíram ligeiramente, para 1,13 milhões de euros. Em 2013 ocorreu a maior redução de roubos de cobre nas linhas ferroviárias, com 470 mil euros de material que teve de ser reposto. E em 2014 voltou a aumentar, ascendendo a 700 mil euros, envolvendo 74 autos de furto.

"Estes valores apenas refletem o custo de reposição do equipamento, com instalação de novos cabos, que têm de voltar a ser ligados, fio a fio", explica Luísa Garcia. Estes custos não incluem os efeitos da indisponibilidade da via ferroviaria para a circulação de comboios.

Problemas em todo o país

A distribuição geográfica dos furtos também tem variado muito. Uma das zonas mais afetadas tem sido Setúbal. No entanto, há casos próximos da fronteira que indiciam a possibilidade dos furtos terem sido efetuados por grupos espanhóis que se dedicam a esta prática "delinquente".

Em regra, os cabos com fios de cobre estão enterrados ao longo da linha ferroviária. Mas em determinadas zonas acabam por estar a descoberto, o que faz aumentar o "apetite" dos grupos marginais que fazem estes furtos.

Alguns cabos podem ter uma tensão elétrica que provocará choques no momento em que são cortados e retirados do solo. Mas o maior risco para quem furta estes cabos será provocado pelo efeito da passagem dos comboios, podendo em alguns troços da via ferroviária ser letal - na maior parte das vezes, os furtos são feitos de noite, em zonas de fraca visibilidade.

Outra variante desta atividade marginal é o furto de caixas de impedância, que têm grandes bobinas de enrolamentos de fio de cobre, que são arrancadas do solo. "Apesar de termos coberto estas caixas com uma resina resistente, para impedir furtos, continuam a ser roubadas", acrescenta Luísa Garcia.

"Não tem sido fácil estancar este problema. Foi preciso colocarmos localizadores nos cabos e nas bobinas para conseguirmos detectar os locais para onde tinha sido levados e também para sabermos onde estavam os recetadores", adianta a responsável da IP. "Muitos já foram condenados", diz.

Esta semana, o furto de fios de cobre ocorreu cerca de 6h, entre Marvila e Braço de Prata. "Foram retirados dois cabos de 25 metros de comprimento e cada um dos dois cabos tinha 21 pares de fio de cobre", detalha Luísa Garcia. Só a reposição destes cabos custou cerca de 5.000 euros e levou várias horas a concretizar, porque cada um dos fios dos cabos tem de ser ligado individualmente. "É um trabalho muito minucioso", diz.