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Eles mandam na ferrovia: “Os comboios têm de voltar a ser o principal modo de transporte na Europa”

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Grupo de presidentes das companhias ferroviárias europeias que participou na Cimeira de Lisboa, de 17 de julho. O anfitrião, presidente da CP, Manuel Queiró (ao centro, é o 10º a contar da esquerda), ao lado do presidente da espanhola Renfe, Pablo Vázquez Vega (o 11º a contar da esquerda). O presidente da russa RZD, Vladimir Yakunin é o 6º a contar da esquerda. O ex-presidente da CP e atual membro da comissão de gestão e presidente do sector de estruturas e via férrea da União Internacional dos Caminhos de Ferro - UIC, Francisco Cardoso dos Reis, é o 2º a contar da esquerda

D.R.

Todas as empresas europeias de comboios estiveram reunidas esta sexta-feira em Lisboa. Querem lutar pela sobrevivência e pela sustentabilidade do sector, o que implica a união de todos os operadores ferroviários. E exigem que a Europa - incluindo a Rússia - dê “prioridade ao modo ferroviário”, comenta o presidente da CP

Os comboios "têm de voltar a liderar os modos de transporte utilizados na Europa, quer na mobilidade das populações, quer na circulação das mercadorias", refere ao Expresso o presidente da CP, Manuel Queiró, anfitrião do encontro de presidentes de empresas europeias de transporte ferroviário que esta sexta se realizou em Lisboa.

"Houve unanimidade em considerar que as empresas do sector precisam de estar unidas para desenvolverem uma estratégia europeia que reforce o sector, colocando o modo ferroviário no centro da mobilidade das pessoas e das empresas", refere Manuel Queiró, defendendo que "o sector tem de ser aberto a toda a sociedade, deixando de lado projetos muito caros e insustentáveis".

"A sustentabilidade do transporte na Europa passa pelos comboios, por razões ambientais e por eficiência de infraestruturas", considera o presidente da CP, admitindo que é impossível manter o crescimento atual do transporte rodoviário sem que a Europa seja confrontada com graves problemas de congestionamento.

"Só será possível desenvolver soluções sustentáveis de crescimento económico na Europa se for dada prioridade absoluta ao transporte ferroviário, o que implica a partilha de sistemas abertos entre todas as empresas que operam comboios e, também, a racionalização dos projetos que estão em curso no sector, o que equivale a dizer que já ultrapassámos o tempo em que podíamos pensar em investimentos muito caros, que nunca poderão ser financeiramente sustentáveis", explica Manuel Queiró.

"Os comboios têm de voltar a ser o principal modo de transporte na Europa, com redes eletrificadas mais eficientes e equipamentos mais modernos e rápidos, sem estarmos a falar de soluções inviáveis e insustentáveis", defende o presidente da CP.

Manuel Queiró comentou que ficou surpreendido com "a posição manifestada pelo presidente da empresa ferroviária russa RZD, Vladimir Yakunin, que disse que esta cimeira de Lisboa foi das mais pragmáticas e eficientes de sempre, porque deixou claro que a estratégia de desenvolvimento do sector implica um trabalho conjunto de todos os presidentes das empresas ferroviárias europeias para que a Europa dê prioridade aos comboios".

O peso da RZD no sector é por si só esmagador. Vladimir Yakunin opera uma rede de 85.200 quilómetros, distribuída em 11 fusos horários (com 43.100 quilómetros de linha eletrificada), onde circulam 20.227 locomotivas, 1.026.600 vagões, empregando 976.116 trabalhadores. Além dos seus 950 milhões de passageiros anuais, os comboios de Yakunin são responsáveis pelo tráfego diário de 42,3% das mercadorias que circulam em toda a Rússia.