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É “desnorteante” negociar com gregos

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D.R.

A empresa conserveira de Pedro Lucas, de Matosinhos, exporta para a Grécia desde 1916. Até 2010 vendia a totalidade da produção àquele país. Com a crise, tudo mudou

Se alguém se pode queixar dos efeitos da crise grega é Pedro Lucas, de Matosinhos, gestor de uma marca de conservas com o mesmo nome. A conserveira Lucas foi fundada ainda no século XIX e exporta para a Grécia desde 1916. Até à crise que ali se começou a fazer sentir de forma mais severa em 2010, a Lucas exportava 100% da sua produção para aquele país.

Cinco anos depois já só vende metade dos seus produtos a Atenas, a outra metade fica em território nacional. Pedro Lucas nunca teve nenhum grande problema com a Grécia, mas confessa que negociar com gregos é “desnorteante”.

Explica que os gregos “esticam a corda até ao limite do limite da paciência de quem está do outro lado da mesa. E quando a outra parte já quer aceitar, esticam ainda mais. No entanto, chegados ao fim da negociação, é para cumprir. Diria mais: a dificuldade não está no pagamento, mas sim na negociação”.

Acontece que, nos últimos anos, ao problema da negociação a Grécia passou a adicionar a componente do ‘pagamento’ aos credores. Ou melhor, a falta de pagamento. “É muito frequente pagarem a 200 dias e isso não é fácil para a gestão de tesouraria de uma empresa de pequenas dimensões como a nossa, que é uma firma familiar”.

Pedro Lucas recorda que "eles ficaram sem dinheiro a partir de 2010 e nós começámos a ter mais cautela na forma como vendíamos. Atualmente já só vendemos metade da produção para a Grécia".

Perante a quebra de vendas para o seu cliente de sempre e a fraca apetência dos portugueses pelas sardinhas enlatadas, a Lucas vira-se agora para outros mercados. Depois do Japão (para onde já começou a vender), aposta agora nos Estados Unidos, no Canadá e em alguns países africanos.

Pedro Lucas garante que Portugal tem de se virar claramente para mercados fora da zona euro, embora continue a dizer que tem muito respeito pelo seu cliente histórico grego, "pois já o conheço há muitos anos".

Como viaja frequentemente para a Grécia, tem acompanhado a situação política do país. E conclui que "o Governo de Tsipras é muito grego, em oposição aos anteriores, que eram mais europeístas".